Polícia moçambicana acusa a Renamo de ataque a viaturas na principal estrada do país

Polícia de Moçambique acusa a Renamo dos ataques a viatura na principal estrada do país Foto: Lusa/D.R

A Polícia moçambicana acusou a Renamo, maior partido de oposição, de dois ataques nas primeiras horas de hoje a cinco viaturas na estrada nacional N1, entre o rio Save e o posto administrativo de Muxúnguè, no centro de Moçambique.

“Foram os homens armados da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] que atacaram as cinco viaturas no troço entre o rio Save e Muúnguè”, disse à Lusa a porta-voz da Polícia República de Moçambique (PRM) em Sofala, Sididi Paulo, acrescentando que, na sequência dos disparos, três pessoas ficaram feridas com estilhaços de vidros.

Contactado pela Lusa, o porta-voz da Renamo, António Muchanga, disse não estar informado sobre o incidente, acrescentando que recebeu a notícia pela comunicação social.

Considerou, no entanto, que as testemunhas citadas pela imprensa não conseguiram identificar os autores dos disparos, não havendo provas do envolvimento dos homens armados do seu partido.

De acordo com a porta-voz da PRM em Sofala, a polícia conseguiu descobrir que eram os homens armados da Renamo a partir de denúncias populares, acrescentando que, logo que a corporação teve conhecimento do primeiro incidente, uma força foi destacada ao local e presenciou o segundo ataque do braço armado do maior partido da oposição.

Os ataques, segundo a descrição de Sididi Paulo, aconteceram em às 05:30 locais (03:30 de Lisboa) e às 07:00 locais, tendo deixado, além de feridos, danos nas viaturas envolvidas.

“A Polícia já está no local e prosseguem as investigações”, sublinhou a porta-voz da PRM, salientando que “este tipo de atitude é inaceitável e deve ser combatida”.

A informação sobre este novos ataques envolvendo a Renamo foi avançada pela emissora pública Rádio Moçambique e confirmada depois à Lusa pela porta-voz da PRM em Sofala.

Em 2013, a Renamo bloqueou a circulação rodoviária no troço Save-Muxúnguè (Sofala), junto da N1, com frequentes ataques a viaturas civis e militares.

A situação condicionou a circulação à proteção de colunas de viaturas através de escoltas militares e só terminou com a assinatura do acordo de cessação das hostilidades militares, a 05 de setembro de 2014.

Este é o terceiro ataque contra civis atribuído ao braço armado do maior partido de oposição em Moçambique em menos de um mês.

O departamento de segurança e defesa da Renamo anunciou na segunda-feira a intenção de instalar postos de controlos nas principais estradas do centro de Moçambique, para travar a onda de raptos e execuções de seus membros.

Em reação, a Polícia moçambicana assegurou no dia seguinte que vai impedir, usando todos meios, os postos de controlo anunciados pela Renamo

Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre o braço militar da Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, não é visto em público desde 09 de outubro, quando a polícia cercou a sua residência na Beira, alegadamente numa operação de recolha de armas, no terceiro incidente grave em menos de um mês envolvendo a comitiva do líder da oposição.

No dia 20 de janeiro, o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique e o seu guarda-costas morreu no local, num caso que continua por esclarecer.

Apesar da disponibilidade para negociar manifestada pelo presidente moçambicano, Filipe Nyusi, o líder da Renamo diz que só dialogará depois de tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o seu movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014. (Agência Lusa – EYAC/EL)

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