Petrolíferas adiam investimentos avultados

(Foto: D.R.)

As companhias petrolíferas adiaram investimentos no valor de, pelo menos, 320 mil milhões de dólares, desde que o preço das matérias-primas começou a descer, no Verão de 2014, indicam cálculos apresentados ontem pela consultora especializada Woodmac.

A descida do preço do petróleo trouxe significativas alterações a nível da política de investimentos das empresas petrolíferas, com as administrações a terem de escolher entre manter a política de altos dividendos aos accionistas dos últimos anos, ou a usar as verbas para novos investimentos, reduzindo o retorno para os accionistas e investidores.
Estudos apresentados por consultoras indicam que a opção generalizada tem sido a de reduzir os investimentos. Assim se explicam os cerca de 320 mil milhões de dólares em novos investimentos que a Woodmac, uma consultora do sector, diz que foram cancelados ou adiados.
Por seu turno, a Rystad Energy, uma consultora norueguesa, publicou esta semana um estudo em que considera que a queda do preço do petróleo em 75 por cento desde meados de 2014 já fez adiar 63 investimentos no valor de 230 mil milhões de dólares desde a segunda metade de 2014.
“As companhias de serviços petrolíferos adiaram gastos na ordem dos 230 mil milhões de dólares para o período entre 2015 e 2020”, lê-se no estudo que acrescenta que o número de projectos adiados passou de 40, em meados do ano passado, para os 63 actuais, principalmente nos projectos mais pequenos, tradicionalmente os primeiros a serem repensados devido ao menor retorno financeiro expectável.

A maior companhia petrolífera do mundo, a Exxon, cortou a previsão de investimentos para o valor mais baixo dos últimos dez anos, e anunciou que ia reduzir 25 por cento dos gastos planeados para este ano, para 23,2 mil milhões de dólares.
A queda dos preços do petróleo retirou 764 mil milhões de dólares em valor de mercado para as companhias neste sector, no ano passado, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, que lembra também que nem a tradicionalmente eficiente Royal Dutch Shell consegue estar imune às condições do mercado, tendo sofrido uma revisão em baixa do rating da Standard & Poor’s, que deve fazer o mesmo à Chevron.
As companhias aéreas estão a ganhar com a descida dos preços, que se verifica desde finais de 2014, e para este ano, a IATA estima que possam poupar mais de 11 mil milhões de dólares. A redução dos custos com o combustível já permitiu também, segundo a associação de transporte aéreo, uma descida das tarifas praticadas pelas empresas de aviação em cerca de cinco por cento.
“As quedas recentes nos preços dos combustíveis devem representar descidas adicionais em 2016 à medida que os contratos de hedging enfraquecem”, diz a IATA no seu relatório de Janeiro sobre o sector da aviação, onde admite que houve um abrandamento do efeito dos preços nas tarifas no final do ano passado.
Em todo o caso, a IATA lembra que a tradução dos baixos preços do petróleo em tarifas mais reduzidas “ajudou a estimular a procura”. Por isso mesmo, em 2015, as companhias europeias “registaram um recorde na ocupação” das suas aeronaves.
Ainda sem dados sobre as contas de todas as suas associadas, a IATA assume que no quarto trimestre de 2015 as contas das companhias melhoraram, com um aumento de 50 por cento no lucro depois de impostos face a 2014.

A margem foi de 15,2 por cento. A amostra de resultados já divulgados permite perceber que as margens e a rentabilidade aumentaram “para as companhias da Ásia Pacífico e na Europa”, diz a Associação. (jornaldeangola)

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