ONU adverte que fechar fronteiras europeias cria “caos e confusão”

O alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, está preocupado com o encerramento das fronteiras na União Europeia Foto: Lusa/D.R

O “encerramento crescente” de fronteiras europeias vai provocar “mais caos e confusão”, advertiu hoje o alto-comissário da ONU para os Refugiados durante uma visita à ilha grega de Lesbos, principal porta de entrada de migrantes na Europa.

“Estou muito preocupado com as notícias sobre um encerramento crescente de fronteiras europeias ao longo da rota dos Balcãs porque isso vai criar mais caos e confusão” e “muito provavelmente aumentar os fluxos irregulares”, disse Filippo Grandi.

O responsável reagia à decisão anunciada no domingo pela Macedónia de recusar aos afegãos a passagem na sua fronteira com a Grécia, bloqueando do lado grego milhares de pessoas que pretendem seguir para a Europa central e do norte.

O tráfego naquela fronteira foi igualmente dificultado pela introdução de um controlo de documentos mais apertado para sírios e iraquianos.

“Isso vai aumentar o fardo da Grécia, que já assume uma responsabilidade muito pesada”, e “criar desordem nos países que recebem migrantes e refugiados” numa altura em que “ainda não há alternativas” para a gestão dos fluxos migratórios, acrescentou Grandi.

“O programa europeu de relocalização ainda é muito limitado e o programa de reinstalação na Turquia ainda não começou”, explicou o alto-comissário.

“Assim, fechar fronteiras ou geri-las de forma apertada na ausência de alternativas legais e seguras para os refugiados vai aumentar o caos e muito provavelmente aumentar os movimentos irregulares que põem as pessoas em risco”, disse.

Filippo Grandi visitou hoje o centro de registo (‘hotspot’) de Lesbos, principal porta de entrada de migrantes e refugiados na Europa.

Segundo números divulgados hoje pela Organização Internacional das Migrações (OIM), mais de 100.000 pessoas chegaram à Europa através do Mediterrâneo desde 1 de janeiro, a esmagadora maioria das quais, 102.000, à Grécia. (Agência Lusa)

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