Obama: “Síria não é “concurso” contra Putin”

Obama este presente esta terça-feira na cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático Foto: AFP/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou esta terça-feira que as negociações sobre o conflito na Síria não são “um concurso” contra Vladmir Putin, presidente da Rússia. A afirmação foi feita durante uma conferência de imprensa na cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASAEN).

Citado pela agência Efe, Obama disse ter pedido a Moscovo para cessar os “bombardeamentos indiscriminados” contra civis para avançar com uma transição política, uma vez que “é difícil” que a oposição síria aceite algum acordo enquanto houver ataques aéreos. O presidente americano acredita que seria “mais inteligente” por parte de Putin dialogar com o país e com o resto dos aliados.

As afirmações de Obama surgem no contexto dos mais recentes bombardeamentos na Síria esta segunda-feira, que fizeram cerca de 50 mortos, incluindo crianças, em pelo menos cinco estabelecimentos médicos e duas escolas no norte do país, segundo denúncia da ONU. O porta-voz adjunto das Nações Unidas, Farhan Haq, não atribuiu a responsabilidade dos disparos de mísseis, mas uma organização não-governamental síria considerou que seriam ataques “provavelmente russos”. A Rússia “recusou categoricamente” as acusações e disse que “aqueles que fazem essas alegações são sempre incapazes de prová-las”.

Questionado sobre o combate ao Estado Islâmico, o presidente norte-americano assegurou que o país vai continuar a tentar impedir que o grupo terrorista estabeleça uma posição na Líbia, onde a instabilidade política criou uma abertura para a entrada no país.

“Vamos continuar a tomar medidas onde temos uma operação clara e um objetivo claro em mente”, garantiu. Para isto, o país vai continuar a trabalhar com os parceiros da coligação: “quando houver oportunidades de prevenir o EI de entrar na Líbia, vamos aproveitá-las”.

Outro assunto também dominou a cimeira da ASAEN: as disputas no Mar da China do Sul, porção que se estende por 3,5 milhões de quilómetros quadrados no Oceano Pacífico. A China reivindica a posse da totalidade da área, importante rota marítima comercial, enquanto Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietname se posicionam de forma oposta à das pretensões chinesas.

Obama pediu que fossem tomadas “medidas tangíveis” para diminuir a tensão na região, incluindo o fim das reivindicações territoriais e a militarização das áreas discutidas, apesar de acreditar que “eventuais disputas entre requerentes na região devem ser resolvidas pacificamente”. (Observador)

por Milton Cappelletti

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA