Negociações difíceis para evitar o “Brexit” prolongam Conselho Europeu

(Reuters)

A Comissão Europeia acredita que Londres e Bruxelas possam chegar a acordo ainda esta noite, mas a maratona negocial pode prolongar-se noite dentro, ou mesmo estender-se durante o próximo sábado.

Depois de as negociações entre o Reino Unido e os restantes 27 Estados-membros da União Europeia (UE) não terem chegado a bom porto, após uma maratona negocial que se prolongou até às 05:00 da última madrugada, foi dito que o acordo seria alcançado na manhã desta sexta-feira, 19 de Fevereiro, durante um “pequeno-almoço britânico”.

Mas não foi. A conclusão das negociações que permitam assegurar a manutenção do Reino Unido como membro da UE foi adiada para um “almoço britânico”. O que também não se veio a verificar. Agora a expectativa, segundo a Comissão Europeia, é a de que haja uma “conclusão” por volta das 20:00 em Bruxelas (19:00 em Lisboa).

No entanto, uma fonte europeia citada pela agência Reuters adiantou, já durante a tarde desta sexta-feira, que as conversações entre o Reino Unido e os restantes Estados-membros da UE estão num “ponto crítico”. Esta fonte relata mesmo que o “almoço britânico” dará lugar a um “jantar britânico” que, por sua vez, poderá ser também inconclusivo.

Isto porque segundo a Reuters e de acordo com um porta-voz do Governo de Chipre foi pedido aos líderes europeus que reservem hotel pelo menos durante mais uma noite, o que indicia que uma decisão final sobre o diálogo Londres-Bruxelas chegue apenas já durante o próximo sábado.

Entretanto, a confirmar a tendência para que as conversas e reuniões bilaterais se prolonguem para lá da hora de jantar, David Cameron, primeiro-ministro britânico, escreveu na rede social Twitter que “as negociações vão prosseguir durante esta noite”. Cameron esclareceu ainda que a reunião do Conselho de Ministros do Reino Unido não será hoje e só acontecerá “se e quando houver acordo”.

Como vem sendo habitual neste tipo de ocasiões, multiplicam-se as declarações dos vários responsáveis europeus. E nem sempre o sentido das mesmas é coincidente. Apesar de David Cameron ter dito que a última madrugada permitiu alcançar “alguns progressos”, esta manhã já avisava que só firmaria um acordo se o “se conseguirmos o que o Reino Unido precisa”. Também o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, rejeitou hoje que Londres possa vir a beneficiar de qualquer tipo de tratamento especial.

A questão da limitação do acesso aos benefícios do Estado Social aos imigrantes comunitários continua a ser o ponto de principal fricção, especialmente devido à oposição dos países do chamado grupo de Visegrado – Polónia, República Checa, Hungria e Eslováquia – países que também têm coincidido nas posições assumidas em relação à gestão das crises migratória e dos refugiados.

O Governo conservador de Cameron quer impedir que os imigrantes no Reino Unido possam beneficiar do Estado Social britânico antes de concluírem pelo menos quatro anos completos de descontos. Possibilidade rejeitada por aqueles quatro países. A Polónia, por exemplo, tem o Reino Unido como principal destino dos seus emigrantes.

Já esta tarde o secretário de Estado checo dos Assuntos Europeus, Tomas Prouza, disse no Twitter estar “cada vez mais perplexo com a atitude britânica de não-negociação”.

Depois de hoje já se ter reunido em duas ocasiões com a delegação polaca, liderada pela primeira-ministra Beata Szydlo, no que parece confirmar ser grande a distância que ainda separa Londres e Varsóvia, Cameron está agora reunido com Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e François Hollande, presidente francês. Hollande mantém-se firme na rejeição da possibilidade de Londres deter qualquer espécie de direito de direito veto sobre novas políticas de aprofundamento da integração no âmbito da Zona Euro, recusando ainda a atribuição de vantagens competitivas à banca britânica, recusa partilhada pela chanceler alemã, Angela Merkel.

Na quinta-feira, antes do início da cimeira, Donald Tusk já avisava que as negociações para evitar o “Brexit” são “muito difíceis e sensíveis”. “Uma coisa é clara para mim: nesta cimeira, ou vai ou racha”, atirou Tusk que no início desta semana garantia ser “real” o risco de desmembramento da União Europeia. (Jornal de Negocios)

por David Santiago

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