Moçambique: RENAMO não nega nem confirma autoria dos ataques

Militares a caminho da Gorongosa, 2013 (DPA)

Aumentam os ataques armados contra viaturas civis no centro de Moçambique. Na manhã desta sexta-feira (12.02.) registaram-se mais três ataques separados ao longo da principal estrada do país, a N1.

A polícia da república de Moçambique (PRM) na província central de Sofala confirmou três novos ataques armados nesta sexta-feira (12.02.) atribuídos ao braço armado da RENAMO, o maior partido da oposição.

A porta-voz do comando provincial de Sofala, Sididi Paulo, relata: “Temos a informar que os homens armados da RENAMO protagonizaram três ataques, sendo dois na zona de Zove e Gongodje no distrito de Chibabava, concretamente no posto admnistrativo de Muxúnguè. O ataque aconteceu contra viaturas civis resultando em dois feridos ligeiros. O outro ataque ocorreu cerca das 11 horas no troço Nhamapaza-Caia, no distrito de Maringué, e desta ação uma viatura com quatro ocupantes foi atingida, o motorista foi alvejado na perna. Os restantes três estão em observação no centro de saúde local.”

Atacar adversário antes de ser morto, defende Dhlakama

Entretanto, em Gorongosa, onde se prepara a partir de março a governação de seis províncias do centro e norte de Moçambique, o líder da RENAMO Afonso Dhlakama não confirmou nem desmentiu que os ataques contra alvos civis estariam a acontecer a seu mando.

Segundo ele, “a RENAMO em defesa própria quando é atacada persegue, quando somos atacados respondemos. Antes de nos virem atacar, quando a nossa inteligência nos confirmar que está aí o grupo que amanhã vem atacar é não esperar apenas para responder quando já estiverem a disparar, porque se calhar ao primeiro tiro você morre. É atacar já o seu adversário antes de te matar. É o que está acontecer um pouco em Tete, no Sul, na Zambézia…”

Por outro lado, o chefe da delegação do Governo moçambicano nas negociações com a RENAMO, José Pacheco, defendeu esta sexta-feira (12.02.) o desarmamento urgente do maior partido da oposição. As autoridades acusam o maior partido da oposição de ser o responsável pela fuga de cerca quatro mil pessoas para o vizinho Malawi a partir da província de Tete.

Dhlakama nega recrutamento de jovens

Enquanto isso, Afonso Dhlakama avança que já foram reativadas todas bases militares em todas províncias do país. Nos últimos dias há relatos segundo os quais a RENAMO está a recrutar jovens para reforçar o seu braço armado.

O líder do partido desmentiu esta informação e acrescenta que: “Não estamos a treinar jovens. Houve um pedido dos jovens [para a formação] e nós dissemos que não. Agora, todos que nós temos são aqueles que vieram [da guerra civil] que foram desmobilizados, portanto, que lutaram duramte dezasseis anos. Estamos a colocar novos quarteis para defender o nosso governo. Começamos há pouco tempo. Colocamos aí seis.”

Nos últimos meses, Moçambique tem conhecido um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre o braço militar da RENAMO e as forças de defesa e segurança, devido as movimentações de homens armados no âmbito da preparação da governação deste partido em março próximo, como tem vindo a ameaçar. Recorde-se que a RENAMO reclama vitória em seis províncias nas últimas eleições gerais moçambicanas. (DW)

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