Moçambique: Automobilistas com medo de circular na N1 em Moçambique

(DW)

Uma semana após a introdução de escoltas obrigatórias em dois troços da Estrada Nacional 1, a maior estrada do país, os automobilistas e os passageiros demonstram receio em circular na via.

Após os sucessivos ataques a viaturas civis, na província de Sofala, por alegados homens armados da RENAMO, a polícia moçambicana introduziu escoltas militares no troço Maringue-Caia, da Estrada Nacional 1, em Moçambique.
Ainda assim, as populações demonstram medo em viajar nesta que é a maior estrada do país, principalmente após os últimos três ataques contra colunas militares que escoltavam viaturas civis.
Dois destes ataques aconteceram na terça-feira (23.02) nos troços de Muxúnguè-Save e Nhamapaza-Caia. O balanço da polícia aponta para dois feridos sem gravidade e danos materiais em algumas viaturas. 

Quanto ao terceiro ataque, que ocorreu esta quarta-feira (24.02) sabe-se que foi contra uma coluna que seguia no sentido Save-Muxúnguè. Segundo a agência de notícias Lusa, três pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança.

O ataque, já atribuído a homens armados da RENAMO, começou com um tiroteio contra a coluna escoltada por militares do Governo, que destruiu duas viaturas na zona de Zove, distrito de Muxúnguè, centro de Moçambique. Logo de seguida, a escolta foi parada e inicou-se uma perseguição aos atacantes.

A DW África entrevistou passageiros e automobilistas no troço Muxúnguè-Save que explicam os receios que sentem.
Viajar com o “coração nas mãos”
Agnaldo Magamba é passageiro de um autocarro. Partiu na madrugada desta quarta-feira (24.02) de Chimoio com destino a Maputo e diz ter optado por viajar via terrestre porque os custos de viagens aéreas estão elevados. Ainda assim, diz que pode estar a colocar a sua vida em risco ao transitar pelas estradas. “Eu viajo com o coração nas mãos. Não temos opção. Eu já passei mais de quatro vezes pelas estradas enquanto isto acontecia, e algumas viagens já fiz em 2014. As ligações aéreas seriam uma opção, mas estão muito caras”, lamentou.
Por seu turno, Afonso Chirinza, condutor de um autocarro lamenta a situação e acrescenta que “o medo existe ao viajar, mas só viajamos porque não podemos deixar de trabalhar. Só para ver o nosso autocarro de 62 lugares partiu da Beira apenas com 15 passageiros. Nestes dias não há movimento de passageiros, ninguém viaja por causa de medo”. 

Por outro lado, Saimon, um automobilista que acabava de chegar a Muxúnguè , vindo da África do Sul garantiu que a viagem correu bem e não se apercebeu do ataque que sofreu a coluna escoltada na qual seguia: “a viagem correu bem, foi sempre a correr e a equipa de segurança usava uma boa velocidade”.

Um camionista que circulava no troço mas que preferiu manter o anonimato disse que mesmo com as colunas militares, ainda se registam alguns ataques na rodovia. “Vocês devem parar de nos enganar, mesmo com a força, as colunas são atacadas e o blindado usa alta velocidade. Se a coluna for desfeita eles não param, até é melhor viajar sem militares”, declarou. (DW)

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