Ministério do Ambiente prepara novo censo aéreo de palancas

Palanca Negra (Foto: Angop)

O Ministério do Ambiente e parceiros estão a preparar as condições para a realização, ainda este ano, de um novo censo aéreo na reserva integral do Luando, com vista a marcação de palancas com transmissores e avaliar o seu real número.

De acordo com o coordenador do projecto de conservação deste animal, Pedro Vaz, pretende-se também para este ano, a construção de um santuário turístico no Parque Nacional de Cangandala (Malanje), assim como a colocação de alguns machos, neste mesmo local.

No quadro das ameaças constantes verificadas ao longo dos últimos anos, Pedro Vaz, referiu que esforços continuam a ser empreendidos, para um acompanhamento permanente dos referidos animais.

“Pretendemos reforçar as medidas de gestão e fiscalização em ambas as reservas (Luando e Cangandala), bem como a elaboração e implementação dos respectivos planos de gestão, visto que sem gestão efectiva e visão de médio e longo prazo não há protecção nem futuro para a palanca”, disse o responsável a propósito do 31 de Janeiro, Dia Nacional do Ambiente.

Acrescentou que o projecto de conservação da palanca prevê o desenvolvimento de soluções de aproveitamento turístico compatíveis com os objectivos propostos, um modelo económico realista é importante para viabilizar a gestão.

A integração das comunidades, autoridades governamentais, universidades, o sector privado e o envolvimento de todos os parceiros, constituem para si um elemento fundamental para o sucesso desta iniciativa.

Quanto a situação actual da Palanca Negra, Pedro Vaz referiu que encontra-se em risco de extinção, devido à caça furtiva em que são utilizadas as armas de fogo, armadilhas de laço e ratoeiras de ferro que tem estado a causar mortes e mutilações.

“Uns incríveis 20 porcento de animais adultos capturados ou fotografados, apresentam ferimentos graves causados por armadilhas”, deu a conhecer Pedro Vaz.

Fez saber que actualmente subsistem menos de 100 animais, tendo-se um controlo de cerca de 40 palancas no Parque Nacional de Cangandala, mas protegidas e acompanhadas no programa de reprodução.

O responsável avançou que apenas três a quatro manadas sobrevivem no Luando (entre 30-60 animais), nas mais variadas áreas extensas sem controlo, o que favorece a caça furtiva intensa.

Outras ameaças contra este animal “raro” estão relacionados com a destruição directa do habitat devido à expansão de actividades agrícolas de subsistência e questões demográficas com perda de vigor genético e risco acrescido de epidemias.

Nos anos 70 havia cerca de duas mil palancas nas zonas de conservação de Cangandala e Luando (Malanje), e durante o conflito armado já terminado temeu-se a extinção mas foram redescobertas em 2005. (ANGOP)

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