Merkel apoia Cameron: Exigências britânicas são “naturais” e “merecedoras de apoio”

O primeiro-ministro britânico esteve em Hamburgo esta sexta-feira, onde as declarações foram proferidas (Sean Gallup/Getty Images)

A chanceler alemã defendeu esta sexta-feira as exigências de David Cameron, que recusa maior integração política entre os Estados-membros. São “naturais” e “merecedoras de apoio”, disse.

Angela Merkel jantou esta sexta-feira com David Cameron, em Hamburgo, onde defendeu as exigências feitas pelo primeiro-ministro inglês para que o país continue na União Europeia. “Não são apenas compreensíveis, mas merecedoras de apoio. É natural que todos os membros da UE possam proteger o seu sistema social contra abusos”, defendeu a chanceler alemã, citada pelo The Guardian.

Merkel afirmou ainda estar “confiante” de que a reunião dos próximos dias 18 e 19 fevereiro, em Bruxelas, onde se votará a aprovação ou veto das cedências de Bruxelas ao Reino Unido, será bem-sucedida. E afirmou que o seu desejo é que “o Reino Unido permaneça como membro ativo de uma União Europeia de sucesso”. “A Europa precisa da Grã-Bretanha e a Grã-Bretanha precisa da Europa“, concluiu Merkel.

Também o primeiro-ministro britânico prestou declarações, prometendo “recomendar de forma inequívoca” o “sim” à permanência do Reino Unido na União Europeia caso as revindicações britânicas sejam aceites pelos líderes dos restantes 27 Estados-membros. Uma missão que, ainda assim, se afigura difícil.

David Cameron afirmou ainda estar convicto de que as exigências britânicas são “boas para a Grã-Bretanha, boas para a Alemanha e boas para toda a Europa” e mostrou-se confiante de que os defensores do “sim” podem vencer o referendo, o que, diz, seria muito importante para toda a Europa. “Num mundo onde a Rússia está a invadir a Ucrânia e que uma nação desonesta como a Coreia do Norte está a testar armas nucleares, temos de nos insurgir contra esta agressão em conjunto”, afirmou o líder britânico, que criticou ainda todos aqueles que justificam os atos extremistas com causas como a pobreza ou a política externa dos países ocidentais:

Num mundo onde as pessoas olham para as ameaças extremistas e culpam a pobreza ou a política externa dos países do Ocidente, temos de dizer “não”: não, a causa [do extremismo] é uma ideologia que está a sequestrar o islamismo para os seus fins bárbaros, envenenando as mentes dos jovens.”

Em Portugal (e para o Governo), o acordo “levanta dúvidas”

O tema do “Brexit” e do acordo celebrado entre os britânicos e a UE foi também discutido esta sexta-feira no Parlamento português. O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou mesmo que o acordo “levanta dúvidas” a Portugal. Costa lembrou que “Portugal tem sido, é historicamente e será no futuro um país de emigração” para justificar as dúvidas sobre as cedências de Bruxelas a Cameron, na área da política de imigração britânica.

Da esquerda, os países mais eurocéticos (BE e PCP) foram mais longe nas críticas ao acordo: o secretário-geral dos comunistas, Jerónimo de Sousa, disse mesmo que este implica “uma verdadeira regressão civilizacional”. As críticas foram secundadas pelo CDS, através do deputado e ex-ministro do Trabalho e Segurança Social Pedro Mota Soares:

A manutenção do Reino Unido na União Europeia não deve ser feita posta em causa a liberdade de circulação. A proposta da Comissão Europeia (CE) não pode deixar de ser vista com muita preocupação. A CE está a falar de limitar circulação livre de cidadãos europeus dentro da Europa, o que é lesivo para os europeus.” (OBSERVADOR)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA