Médicos apoiam colocação de jovens nos centros de saúde

Saúde (Foto Cláudia Lima da Costa)

Bastonário concorda com intenção do Governo mas diz que “no imediato” a questão só se resolve contratando médicos de família reformados.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, manifestou-se, nesta quarta-feira, de acordo com a intenção do Governo de colocar jovens médicos nos centros de saúde, defendendo concursos de admissão “justos, transparentes e céleres”.

No entanto, apesar de concordar com a intenção do executivo, José Manuel Silva entende que, “no imediato”, a questão só se resolve contratando médicos de família reformados.

Neste momento, o que há a fazer é efetivamente contratar os médicos que acabam a especialidade. Isso é o normal, o expectável e o mínimo que o Governo tem a fazer”, sustentou o bastonário, em declarações à agência Lusa.

Para José Manuel Silva, o problema de falta de clínicos a exercer no SNS “resolve-se com os jovens que estão atualmente a ser formados como especialistas de medicina geral e familiar a um ritmo de 400 por ano”.

“É preciso contratá-los, e que os concursos sejam justos, transparentes e céleres. É o que se espera que o Estado faça”, sublinhou.

O bastonário insistiu na ideia de que em Portugal não há falta de clínicos mas de concursos “justos, transparentes e céleres” para admissão no Serviço Nacional de Saúde.

Nós não temos um problema de falta de médicos em Portugal. Temos um problema de contratação para o Serviço Nacional de Saúde, ou de não contratação ou de dificuldade na contratação”, explicou José Manuel Silva.

No imediato, como disse já, a questão só se “resolve contratando médicos de família reformados”, salientando que o atual Governo tomou uma “medida justa” ao possibilitar que os clínicos reformados possam acumular a sua pensão com 75% do salário.

“Isso pode, no imediato, permitir recrutar mais de dois mil médicos de família reformados recentemente, e ir buscar um número de médicos de família para durante dois, três anos permitir atribuir um médico de família a todos os português”, sublinhou.

O bastonário lembrou que nos últimos quatro anos emigraram mais de mil médicos de família devido “às dificuldades de contratação criadas pelo anterior Governo”, e também pela desqualificação do trabalho médico e a “enorme pressão burocrática” sobre aqueles.

“O computador está a substituir o doente como elo central da consulta, o doente está a deixar de ser o centro da consulta para ser o computador e as pressões burocráticas, as regras e os indicadores. Todo esse trabalho destabiliza o trabalho do próprio médico e muitos optaram por sair do SNS, emigrar e ir para o setor privado ou para reformas antecipadas”, disse, acrescentando: “O que se passou nos últimos quatro anos foi mau.” (TVI24)

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