Instabilidade política ameaça campanha de caju na Guiné-Bissau – Câmara de Comércio

Instabilidade política ameaça campanha de caju na Guiné-Bissau Foto: Lusa/D.R

O presidente da nova Câmara de Comércio da Guiné-Bissau, Mamadu Saliu Lamba, considera que a crise política no país pode afetar a campanha de caju, principal produto de exportação guineense.

A pouco mais de um mês do início da campanha, Lamba receia que os dirigentes estejam “mais preocupados com querelas políticas”.

O presidente da Câmara de Comércio da Guiné-Bissau observou que “nada tem sido feito” para preparar a colheita e exportação.

É raro ouvir alguém das autoridades falar da campanha de caju, atividade que, em condições de normalidade governativa, costuma prender a atenção dos dirigentes do país durante todo ano.

Saliu Lamba disse que em 2015 o país não sentiu os efeitos da crise governativa (motivada pela demissão do executivo pelo Presidente da República) porque, afirmou, a campanha iniciada em abril correu da melhor forma, beneficiando de uma conjuntura internacional favorável.

Dados do Governo indicam que, pela primeira vez, o caju foi comprado ao agricultor a preços que chegaram aos 700 francos CFA (cerca de um euro) por quilo, o que para o presidente da Câmara de Comércio foi um acréscimo de cerca de 700 por cento nas contas habituais dos agricultores.

Para a presente campanha, Lamba diz ter “fortes receios” de que a “instabilidade política venha a favorecer apenas o comprador final” do caju guineense.

“Estamos a ver que ainda nada foi feito. Os preparativos deviam começar no mês de novembro”, notou o dirigente da Camara do Comércio guineense, numa referência aos anúncios governamentais sobre preços de referência e outros parâmetros da atividade.

Aquele responsável alerta ainda para o facto de os bancos comerciais também estarem na expectativa antes de avançar com os empréstimos aos operadores económicos.

De acordo com Saliu Lamba “toda gente está expectante quanto ao desfecho da crise política”, deixando de lado aquela que é a principal atividade económica do país, disse.

A Guiné-Bissau produz anualmente cerca de 200 mil toneladas da castanha do caju, das quais exporta quase 80% para o mercado indiano.

Dados do Governo apontam que, em condições normais, cerca de 80% da população rural guineense envolve-se na campanha de caju. (Agência Lusa – MB/VM)

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