Fecho dos mercados: Bolsas e petróleo perdem e euro recupera

(Negocios)

O petróleo regressou às quedas, pressionando as acções do sector da energia. Também os bancos europeus voltaram a perder terreno após o BCE ter feito comentários sobre as regras de capital que têm de seguir.

PSI-20 desceu -0,90% para 4.706,24 pontos

Stoxx 600 perdeu -0,77% para 326,37 pontos

S&P 500 desliza -0,11% para 1.915,74 pontos

“Yield” a dez anos de Portugal subiu 3,5 pontos base para 3,438%

Euro ganha 0,16% para 1,1124 dólares

Petróleo desce 3,79% para 32,98 dólares, em Londres

PSI-20 não resiste a quedas no resto da Europa

A bolsa portuguesa perdeu valor pela segunda sessão consecutiva. O PSI-20 cedeu 0,90% para 4.706,24 pontos, com apenas três cotadas a terminarem o dia no verde. A Altri e a Portucel estiveram entre os destaques positivos com subidas de 2,44% e 0,44%, respectivamente. E a Teixeira Duarte também conseguiu valorizar, com um ganho de 0,71%. Estes desempenhos contrastam com as das restantes cotadas. O sector da energia voltou a tirar gás ao PSI-20, com a Galp e a EDP a descerem 1% e 0,42%. No entanto, as maiores quedas do dia pertenceram à Mota-Engil, que cedeu 3,63%, e à Sonae, que desvalorizou 2,90%. O BCP também perdeu mais de 2%, enquanto o BPI caiu 1,25%.

No resto do Velho Continente o cenário não foi muito diferente, com o índice europeu Stoxx 600 a perder 0,77%, após dois dias seguidos de ganhos. O sector da banca voltou a ser o foco de maior preocupação, depois de o BCE ter feito comentários sobre as exigências de capital para o sector. Nos EUA, o S&P 500 segue com uma perda ligeira de 0,11%. O índice não tem tido uma tendência definida ao longo da sessão, com os ganhos do sector tecnológico e financeiro a serem ofuscados pelo mau desempenho do sector energético.

Juros da dívida interrompem quedas

A taxa exigida pelos investidores para deter obrigações portuguesas a dez anos teve uma subida ligeira de 3,5 pontos base para 3,438%, interrompendo duas sessões consecutivas de queda. As “yields” espanhola e italiana tiveram comportamentos ainda mais moderados. A taxa da dívida espanhola a dez anos aumentou 0,4 pontos para 1,705% e a italiana subiu um ponto base para 1,564%. Em Portugal, o Orçamento do Estado começará a ser discutido no Parlamento no início da próxima semana e o Bloco de Esquerda e o PCP, que apoiam o Governo, introduziram esta semana a questão da reestruturação da dívida na agenda.

Perspectivas de mais estímulos dão novos mínimos às Euribor

As taxas Euribor renovaram novos mínimos esta sexta-feira, numa altura em que o mercado antecipa novas medidas de estímulo do BCE na reunião de Março, nomeadamente a possibilidade de voltar a cortar a taxa de depósito para valores mais negativos. A Euribor a três meses desceu 0,003 pontos para 0,198%. O indexante a seis meses caiu 0,001 pontos para -0,125% e a Euribor a 12 meses desceu 0,003 pontos para -0,017%.

Euro interrompe ciclo de quedas face ao dólar

A moeda única valoriza 0,16% face à divisa norte-americana para 1,1124 dólares, interrompendo uma sequência de cinco quedas consecutivas. Apesar de o mercado estar a apostar que o BCE anunciará mais medidas de estímulo na reunião de Março, alguns membros do banco central têm tentado fazer contenção das expectativas. Esta sexta-feira, Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, referiu que ainda é necessário analisar as projecções para a evolução da inflação antes de se tomarem decisões. Isto depois do presidente do banco central austríaco, Ewald Nowotny, ter alertado para eventuais expectativas desajustadas do mercado.

Reservas em máximos afundam petróleo

O petróleo apagou os ganhos conseguidos nas últimas sessões. O West Texas Intermediate desvaloriza 4% para 29,54 dólares por barril e o Brent perde 3,79% para 32,98 dólares. Apesar das indicações de um acordo entre os maiores produtores do mundo para não aumentarem a produção ter levado a sinais de recuperação no mercado, essa subida foi travada pela divulgação, na sessão anterior, das reservas nos EUA. Aumentaram em 2,15 milhões de barris para 504,1 milhões na semana passada, atingido o valor mais alto dos últimos 86 anos. Estes dados reforçaram os receios dos investidores sobre o excesso de ofertas que existe no mercado.

Menos oferta dá ganhos ao zinco

Os baixos preços do zinco nos últimos meses levaram a que algumas empresas que exploram esta matéria-prima fechassem minas que não eram rentáveis. Mas essa estratégia está a levar a uma falta de zinco no mercado, o que está a provocar problemas na oferta, principalmente na China. Este factor levou a uma subida de 3,16% do preço da tonelada métrica para 1.697 dólares. Uma sondagem feita pela Reuters este mês junto de bancos de investimento indicava que o zinco seria o metal com melhor desempenho em 2016.

Destaques do dia

PCP vai propor renegociação da dívida, PS não fecha a porta. O PCP promete levar “muito em breve” ao Parlamento proposta de renegociação da dívida de Portugal. Os socialistas dizem que o tema “é cada vez mais premente” e que a hipótese de negociar com Bruxelas pode ser colocada.

Novos testes de stress à banca ditam exigências de capital em 2016. As exigências de solidez que o BCE vai impor este ano à banca europeia terão em conta novos testes de stress. O supervisor vai reavaliar perfil de risco de cada banco, como a CGD, BCP, Novo Banco e BPI, com base nos resultados deste exercício.

Artur Santos Silva: Se já estivesse tudo resolvido, eu já não estaria no BPI Para o presidente do conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva, a proposta de cisão entre o BPI e o BFA é a melhor solução. “A cisão é do interesse de todos, nenhum accionista enquanto tal apresentou qualquer argumento contra”.

Quarto maior accionista do BPI contra alteração de lei que “facilita” actuação do Caixabank. Em texto de opinião no Negócios, Tiago Violas Ferreira mostra-se contra a intenção do Governo de alterar a legislação para “facilitar a transformação do BPI numa sucursal do Caixabank”. “Parece-me simplesmente inacreditável”.

BPI: menor probabilidade de taxa discriminatória na Polónia positiva para a Jerónimo. A Polónia vai apresentar dentro de um prazo máximo de dez dias um novo esboço para o imposto sobre o retalho no país. Para o BPI, uma solução menos discriminatória para o sector poderia ter uma leitura positiva para a Jerónimo Martins.

Investidores trocam fundos europeus pelos EUA. Os investidores aceleraram os resgates de fundos europeus na última semana, aumentando a exposição a fundos de dívida nos EUA, perante os receios de um Brexit e os baixos retornos oferecidos na dívida europeia.

O que vai acontecer na segunda-feira

Portugal

O Parlamento discute Orçamento do Estado na generalidade (até dia 23).

O Banco de Portugal divulga o Boletim Estatístico.

O INE publica o Índice de Novas Encomendas na Construção e Obras Públicas, no quarto trimestre de 2015.

EUA

São conhecidos os índices PMI da Markit para a indústria, em Fevereiro. A anterior leitura foi de 52,4 pontos e as estimativas apontam para um valor de 52,5 pontos.

Zona Euro

São divulgados os índices PMI da Markit para a indústria, em Fevereiro. O valor anterior situou-se em 52,3 pontos e a estimativa para a nova leitura é de 52 pontos.

O banco britânico HSBC apresenta os resultados do último trimestre de 2015. (Jornal de Negocios)

por Rui Barroso

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