Ex-primeiros-ministros do PS e do PSD num frente-a-frente na RTP1

Durão Barroso e António Guterres (DN)

António Guterres e Durão Barroso exerceram altos cargos internacionais durante dez anos seguidos nas Nações Unidas e na UE

Temas como a crise dos refugiados que assola e divide a Europa, ou a guerra na Síria e os ataques terroristas na Turquia, vão estar esta noite em debate, na RTP1, por dois antigos líderes do PSD e do PS e que na última década exerceram altos cargos internacionais.

O frente-a-frente, com uma duração prevista de hora e meia, será moderado pelo diretor de informação da estação pública de televisão, Paulo Dentinho, e pelo ex-diretor de informação da SIC Notícias António José Teixeira, atual responsável pela Revista XXI.

“Os grandes desafios da atualidade, as tensões na Europa, o terrorismo, os desafios da industrialização, as questões climáticas, a revolução digital e os problemas do emprego” são os temas do debate divulgados pela RTP1 e que é uma iniciativa conjunta da estação pública com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (proprietária da Revista XXI).

António Guterres foi o alto-comissário da ONU para os Refugiados entre 2005 e 2015 – um dos escolhidos para membro do Conselho de Estado pelo Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa – e está na corrida ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, proposto pelo governo português.

José Manuel Durão Barroso, que é professor na Universidade Católica, presidiu à Comissão Europeia entre 2004 e 2014, assumindo o cargo após exercer o cargo de primeiro-ministro português durante dois anos e um após o início da guerra no Iraque – participando, como anfitrião, na cimeira das Lajes que juntou o ex-presidente dos EUA George W. Bush e os antigos chefes de governo britânico, Tony Blair, e espanhol, José Maria Aznar.

A guerra do Iraque, que levou ao derrube do ditador Saddam Hussein, é apontada por vários especialistas como uma das causas da guerra na Síria e da ascensão do chamado Estado Islâmico – responsável por ataques terroristas como o de Paris e que tem estado alvo de ataques militares protagonizados por uma coligação internacional liderada pelos EUA.

A França – que prolongou há dias o estado de emergência a nível nacional, instaurado após os referidos ataques de Paris e cuja duração prolongada tem suscitado críticas – assumiu entretanto um maior papel na guerra contra o Estado Islâmico, pedindo ajuda aos restantes Estados membros da União Europeia para esse efeito. No caso português, esse apoio vai traduzir-se no reforço dos efetivos presentes nas missões militares da União em África (Mali e República Centro-Africana).

Esses conflitos estão, por sua vez, ligados à fuga massiva de centenas de milhares de refugiados para a Europa nos últimos meses. Esse afluxo de migrantes, marcado por vários naufrágios e muitas mortes na travessia do Mediterrâneo, promoveu divisões claras e profundas entre os Estados membros da União Europeia – alguns dos quais, como a Hungria, a levantarem barreiras fronteiriças e a recorrerem às Forças Armadas para as vigiarem.

Portugal, onde o Orçamento do Estado para 2016 está em discussão na Assembleia da República depois de a proposta inicial do governo socialista (apoiado pelo BE e pelo PCP) ter sido alterada por pressões de Bruxelas, já se disponibilizou para receber um total próximo dos dez mil refugiados.

Esta posição foi assumida pelo primeiro-ministro, António Costa, em cartas enviadas aos homólogos de alguns Estados membros mais pressionados pelos fluxos migratórios. Segundo a quota comunitária de admissões definida para Portugal, cabe-lhe receber 4486 refugiados. (Diario de Noticias)

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