EUA: 13 milhões de latinos votam para presidente em novembro

(AFP)

A eleição presidencial de 8 de novembro nos Estados Unidos contará com a participação de mais de 13 milhões de eleitores latinos, quase dois milhões a mais do que em 2012 – de acordo com estimativas publicadas nesta terça-feira.

Segundo um estudo lançado pela National Association of Latino Elected Officials (Naleo, Associação Nacional de Latinos Eleitos), esse total pode ser ainda maior, dependendo dos candidatos na recta final da disputa e dos esforços específicos despendidos por republicanos e democratas para angariar o importante voto hispânico.

Para o director-executivo da Naleo, Arturo Vargas, o contingente do eleitorado latino aumentou pelo menos 17% em cada eleição presidencial em comparação ao pleito anterior desde 2004, mas nenhum candidato de nenhum dos grandes partidos pode afirmar que tem influência decisiva sobre esse grupo.

“Com mais de 13,1 milhões de latinos que devem ir às urnas para fazer ouvir sua voz, nenhum candidato, ou partido político, pode se permitir dar nosso voto como certo, se quiser ganhar a corrida para a Casa Branca”, advertiu Vargas, ao apresentar o estudo da Naleo à imprensa.

“Ninguém mais pode esperar que os latinos votem em um candidato apenas porque tem nome latino, ou fale espanhol”, afirmou.

Vargas disse acreditar que esse número de 13,1 milhões de votos latinos “seja apenas o piso” previsto, já que nos Estados Unidos vivem 27,3 milhões de latinos que estão habilitados a votar. Quase metade deles pertence à chamada “Geração Y”, que alcançou a maioridade por volta dos anos 2000.

Numericamente, o maior contingente de eleitores latinos está concentrado no estado do Texas, no sul do país. Lá, os latinos representam 39% da população e 23% dos eleitores registados. Isso significa quase uma em cada quatro pessoas.

No Colorado, a Naleo considera que pelo 277.000 latinos vão votar, um importante avanço de 7% sobre os 259.000 que foram às urnas em 2012.

O destino dos votos

No sábado passado, o Partido Democrata realizou seu “caucus” no estado de Nevada, o primeiro nesta prévia com um importante contingente de eleitores latinos.

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton superou o senador por Vermont, Bernie Sanders por cerca de cinco pontos percentuais, mas as pesquisas feitas até agora não deixam claro quem se beneficiou do voto latino. Os números sugerem que o senador Sanders teria ficado com a maior fatia latina no Nevada, mas ainda não há análises conclusivas sobre isso.

“Quem ficou com o voto latino em Nevada? Não sei, mas sei que já não se pode pôr o voto latino em uma única direcção”, frisou Vargas, nesta terça.

Em 2012, quando o presidente Barack Obama tinha como principal promessa de campanha realizar uma profunda reforma do sistema migratório, 71% do voto latino ajudou-o a derrotar o republicano Mitt Romney e a manter o democrata na Casa Branca.

Na campanha actual, a questão migratória voltou a aparecer entre as prioridades, depois que o pré-candidato republicano Donald Trump lançou sua proposta de expulsar do país os cerca de 11 milhões de imigrantes em situação ilegal, assim como a de construir um gigantesco muro na fronteira com o México – e enviando a factura para os próprios mexicanos.

O estudo da Naleo afirma que 65% dos latinos nos Estados Unidos nasceram neste país, e apenas 35%, fora dos EUA. Entre os que têm menos de 18 anos, 94% nasceram em território americano, o que mostra claramente um novo perfil geracional.

Se, hoje, cerca de 53 milhões de latinos vivem nos Estados Unidos, as projecções indicam que esse total deve aumentar para 86,7 milhões em 2035, chegando a pelo menos 128,8 milhões em 2060. (AFP)

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