Estudantes “fogem” de universidades privadas

(Foto: Pedro Nicodemos)

A subida de preços por parte de algumas universidades, assim como a indisponibilidade financeira, está a afugentar candidatos ao ensino superior nas instituições privadas. Na sequência, as unidades orgânicas da UAN, e não só registam um grande afluxo de estudantes.

Numa ronda efectuada por este jornal, em algumas universidades e institutos superiores, o cenário demonstrava uma fraca aderência para um mercado que recebeu muitos estudantes do ensino médio. No que diz respeito ao número de candidatos, as instituições do ensino superior registam menos aderências. Em causa está o actual estado económico que o país enfrenta, presumem alguns gestores.

O secretário-geral da Universidade Católica de Angola, UCAN, Laurindo Viagem, lamenta o facto. Segundo disse, apesar da nova estratégia de inscrição adoptada pela sua instituição, o registo de novas candidaturas é inferior ao período homólogo de 2015. “Os candidatos poderiam se inscrever em online ou vir à Universidade. Neste ano o número de novos candidatos inscritos é inferior.

As questões económicas jogam um papel importante nesta abstenção. E parece ser a tónica de todas universidades”, admitiu. Laurindo Viagem disse que não pode precisar o número de candidatos que diariamente registam, mas assegurou que, desde que começaram as inscrições, no princípio do mês de Janeiro,  estavam inscritos cerca de dois mil e 200 candidatos, dos mais de três mil registados em 2015.

O preço das inscrições nesta universidade é 10 mil kwanzas. Apesar de estar a faltar apenas uma semana para o término das inscrições, Laurindo Viagem não descarta a possibilidade de receber mais alunos no último dia, pois estão disponíveis duas mil vagas.

Ao contrário dos anos anteriores, o Instituto Superior Metropolitano pareceu estar a viver a mesma situação. Aliás lembra-se de que um grupo de cerca de seis mil estudantes manifestaram o desejo de abandonar a instituição devido ao aumento dos emolumentos. Para entender a situação, tentamos ouvir a direcção da área académica, mas sem sucesso.

A Universidade Lusíada não é excepção. O movimento, tanto dentro como fora, era morno. O mesmo exercício fizemos para contactar o chefe da área académica, mas este mostrou-se indisponível. Todavia, a esperança dessas instituições realimentam-se. Presume-se, entretanto, que os estudantes que chumbarem nos testes das instituições poderão ir para as privadas.

Instituições públicas arrecadam milhões

Enquanto, as instituições privadas preferem esperar mais uma semana para fazer as contas finais, as instituições públicas fazem as contas daquele que foi o processo das inscrições que culminaram na semana passada. Em 2015 a taxa para as inscrições era de dois mil kwanzas.

Este ano, em algumas instituições, o valor subiu para quatro mil kwanzas. Segundo o vice-reitor para área acadêmica e vida estudantil da Universidade Agostinho Neto, UAN, Domingos Margarida, durante o processo das inscrições foram registados 30 mil candidaturas, das 5492 vagas disponível.

Entretanto, contas feitas por este jornal dão conta de que mais de 120 milhões de kwanzas foram arrecadados se tivermos que multiplicar as 30 mil vagas com os valores dos emolumentos. Alguns estudantes chegaram a inscrever-se em dois cursos, tendo por isso pago seis mil kwanzas. Martins António, candidato, confirma o facto. “Paguei seis mil kwanzas. Inscrevi-me nos cursos de Electrotécnica e Electrónica e Telecomunicações”, assegurou na segunda- feira, 25, nas instalações da UAN.

Domingos Margarida disse que o valor arrecado vai servir para cobrir todas as despesas que está ser efectuada no processo que culmina com o começo das aulas. “O processo em si é tão custoso.

Envolve os transportes, combustível, alimentação do pessoal, entre outros”, precisou. De acordo com Domingos Margarida os cursos mais solicitados foram: Economia, Direitos, algumas Engenharias e Informáticas.

ISCED do Kilamba com mais de 20 milhões de kwanzas

O ISCED do Kilamba, com 990 vagas chegou a registar 6.313 candidaturas. Contas feitas e atendendo os estudantes que se inscreveram em dois cursos, apontam para um valor acima dos 25 milhões, 252 mil kwanzas.

Se na UAN, o estudante que se inscreveu em dois cursos pagou seis mil kwanzas, no ISCED do Kilamba a realidade é diferente. Duas candidaturas valeram mesmo oito mil kwanzas. Delfina Pucuquieto candidatou-se nos cursos de Sociologia e Inglês. “Paguei 8 mil kwanzas nas inscrições. Vim ver se as listas saíram e saber a sala e horário em que farei a prova do exame”, fez saber.

Emolumentos variam por indisciplina

A Universidade Katiavala Bwila registou um total de 14.175 mil candidaturas. Segundo o vice-reitor para área académica e vida estudantil desta universidade, os emolumentos não alteraram, porquanto, os estudantes pagaram dois mil kwanzas. Contas feitas, 28 milhões, 350 mil kwanzas é quanto a Universidade arrecadou de receitas durante o processo das inscrições. (semanarioeconomico)

Por: Camilo Lemos

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