Estabilidade vai potenciar o crescimento

Cidade de Kinshasa conquista tranquilidade para garantir segurança à população e aos investidores estrangeiros (Foto: D.R.)

O Presidente da RDC, Joseph Kabila, enalteceu em Kinshasa os esforços dos países a fim de restabelecer-se a confiança além do empenho para um quadro macroeconómico estável.

O Presidente da República Democrática do Congo (RDC) Joseph Kabila, enalteceu na última quarta-feira, em Kinshasa, o facto de os países dos Grandes Lagos restabelecerem a confiança entre si e de reforçarem as suas capacidades colectivas e individuais de resolução pacífica dos conflitos com vista à segurança regional e à criação de um quadro macroeconómico estável.

Joseph Kabila, que discursava na abertura da conferência sobre investimento privado na região dos Grandes Lagos, declarou que os países da região, com uma população jovem calculada em 370 milhões, solos ricos, milhões de hectares de terras cultiváveis e uma taxa média de crescimento de 5,8 por cento, representam um mercado atraente para o investimento privado.

“Hoje, há um caminho para a paz com vista a atrair o investimento privado na região e a oferecer o bem-estar à população, particularmente, da sua juventude”, sublinhou Joseph Kabila, que estava ladeado do Vice-Presidente da República de Angola, Manuel Vicente.

“A região passa a ser de oportunidades e de negócios e espera que a conferência traga uma verdadeira interacção entre os actores do sector privado e os decisores políticos a nível nacional, regional e internacional com vista a consolidar a subida em potencial de crescimento em curso”, garantiu o Estadista democrático-congolês, que apelou para a eliminação de obstáculos à circulação de pessoas e bens na região. Entretanto, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Kim-moon, apelou ao prosseguimento dos esforços visando a promoção da paz e o desenvolvimento dos Estados da região dos Grandes Lagos.

Discursando na cerimónia, Ban Kim-moon considerou “a paz e o desenvolvimento como faces da mesma moeda” e “fontes para eliminar conflitos”. O Secretário-Geral da ONU afirmou que a região dos Grandes Lagos é das mais ricas do continente africano e encorajou os líderes da região a promoverem um clima de “ investimentos responsáveis“ que contribuam para a “criação de empregos decentes, melhoria das as condições de vida e esperança dos cidadãos “.

Ban Kim-moon pediu aos governantes e investidores a cria- ção de parcerias para a integração económica que contribuam, efectivamente, para a criação de riqueza e eliminar os focos de conflitos Pediu consultas inclusivas entre empresários, o Estado e a sociedade civil para identificar as oportunidades de promoção do desenvolvimento sustentável em cada país, além de referir a necessidade de uma boa governação e de instituição de um Estado de direito que propicie o desenvolvimento económico para garantir boa qualidade de vida às populações, priorizando as mulheres.

A conferência sobre os investimentos privados na região dos Grandes Lagos (CISP), que permitiu uma ampla discussão sobre a implementação de projectos em benefício das populações dos países da região, acolheu, além dos Chefes de Estado e de Governo, vários investidores, representantes dos principais parceiros de desenvolvimento, doadores internacionais e promotores de projectos, atingindo um número de mais de 450 convidados.

Na conferência, participaram delegações dos países membros da CIRGL e investidores privados, entre outros, que discutiram oportunidades em sectores essenciais como agricultura, energia, finanças, tecnologias de informação e comunicação, infra-estrutura, mineração e turismo. Para o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, o evento tem um grande significado, na medida em que os conflitos na região estão praticamente ultrapassados e pretende-se construir a paz, combater a pobreza e promover o desenvolvimento desta zona, que é uma das mais ricas do continente.

“É um bom início para uma região que durante muito tempo só foi vista na vertente dos conflitos. Agora, estamos numa nova era e já há mudanças significativas na região”, declarou Georges Chikoti, salientando que o maior problema na região dos Grandes Lagos, com mais de 300 milhões de habitantes, é a dificuldade de comunicação entre o Leste e o Oeste.

Para ultrapassar este problema, o ministro entende ser necessário desenvolver as áreas de infra-estruturas e de recursos naturais, para criar interligações de caminhos-de-ferro e de estradas para uma maior circulação de pessoas e bens.

Georges Chikoti, que falava à imprensa angolana após a sua chegada a Kinshasa, disse ainda que a integração é um desafio para a construção de infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e hidroeléctricas.

Na sua perspectiva, a materialização destes projectos dentro de alguns anos e do plano de desenvolvimento 2063 da União Africana pode permitir um desenvolvimento global do continente e em particular da região dos Grandes Lagos.

De acordo com o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, a realização do evento surge dois anos depois da reunião de líderes africanos e faz parte do acordo de paz, segurança e cooperação regional. “Esta conferência tem especial importância e realiza-se num momento de crise económica, sendo uma abordagem inédita colocar o sector privado e governos juntos para todos vermos como podemos contribuir para a paz e estabilidade nos países da região”, referiu.

A VI cimeira de Chefes de Estado e de Governo da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, que devia ocorrer na última sexta-feira (dia 12), será realizada no dia 30 de Março próximo, anunciou o ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Rebelo Chikoti.

As três candidaturas ao cargo de secretário executivo da organização serão homologadas na cimeira de Chefes de Estado e de Governo. A conferência internacional sobre a região dos Grandes Lagos (CIRGL) foi criada pela ONU, após os conflitos que se registaram nesta região, em 1994, e marcou o reconhecimento da sua dimensão e a necessidade de um esforço concentrado para a promoção da paz e do desenvolvimento nesta zona do continente.

A CIRGL é constituída por Angola, Burundi, República Centro Africana (RCA), Congo, República Democrática do Congo (RDC), Quénia, Uganda, Rwanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. (jornaldeeconomia)

Por: Gaspar Micolo

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