Empresas portuguesas deixam Angola e procuram Argélia

Empresas portuguesas que estavam instaladas em Angola têm procurado o mercado argelino, como alternativa à crise naquele país, disse hoje o embaixador português em Argel, que indicou também que os vistos concedidos a argelinos quintuplicaram em três anos. Foto: Lusa

A comunidade registada no consulado português na capital argelina ronda as 1.500 pessoas, composta principalmente por empresários, quadros de empresas e trabalhadores, e “está a crescer, vinda de Portugal e de Angola”, explicou o embaixador António Gamito, que está desde 2013 em Argel.

“Há muita gente que estava em Angola, as portas fecharam-se um pouco e estão a tentar o mercado argelino como alternativa”, acrescentou.

O diplomata falava à Lusa no âmbito da visita oficial do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que decorreu no sábado e hoje.

Por outro lado, nos últimos três anos, o número de vistos concedidos pelo consulado na Argélia quintuplicou, dos 600 para mais de 3.000 por ano, destinados, na maioria, a empresários argelinos e professores e estudantes que vão a Portugal fazer mestrados e doutoramentos.

Atualmente, estão instaladas no mercado quase 100 empresas, o dobro do que em 2013, e já há 47 parcerias luso-argelinas.

“Diversificámos a relação. Antes estava tudo muito concentrado na construção civil e obras públicas, hoje temos áreas como turismo, recursos hídricos e ambiente, agricultura, transportes”, descreveu o embaixador, que reconheceu que “ainda há muito por fazer”.

Com a quebra dos preços do petróleo e do gás, a economia tem-se ressentido e foram suspensos ou adiados planos de obras públicas, alguns dos quais envolvem empresas portuguesas.

Também a nível político, a cooperação entre os dois Governos tem sido intensa, com a realização, em 2014, da reunião da comissão mista para os assuntos económicos e, no ano passado, da 4.ª cimeira bilateral, na Argélia.

“Isto serve para que as empresas possam vir a ganhar contratos, ou que se desenvolva uma cooperação”, referiu António Gamito.

A defesa e segurança é outra área da cooperação e está em preparação um acordo entre os dois países que “vai possibilitar às indústrias de defesa de Portugal virem disputar o mercado argelino, que é muito importante, porque a Argélia tem o maior orçamento de defesa do continente africano”, explicou.

Durante a visita oficial à Argélia, Augusto Santos Silva reuniu-se hoje na capital argelina com o seu homólogo, Ramtane Lamamra, e com o ministro dos Assuntos Magrebinos, da União Africana e da Liga dos Estados Árabes, Abdelkader Messahel.

A agenda incluiu ainda um almoço com empresários portugueses e encontros com o primeiro-ministro, Abdelmalek Sellal, e com o Presidente da República, Abdelaziz Bouteflika.

(Lusa – JH // ROC )

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA