Declaração alusiva ao 14º aniversário da morte em combate do líder fundador da UNITA Dr Jonas Malheiro Savimbi

(UNITA)

No dia 22 de Fevereiro de 2002 tombou em combate no Lukusse, província do Moxico, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi.

O fatídico acontecimento que pôs fim à carreira política, diplomática e militar do Patriota que durante décadas, lutou por ideais nobres da humanidade, tais como a paz, a democracia, a liberdade, a justiça social e a solidariedade nacional, enlutou os angolanos, sobretudo os milhões de menos equipados que acreditam nos ideais defendidos por Jonas Malheiro Savimbi.

Nascido a 3 de Agosto de 1934, na localidade de Munhango, ao longo do Caminho de Ferro de Benguela, Jonas Malheiro Savimbi encarnou, desde muito cedo o sofrimento, a exploração e a humilhação a que o regime colonial português submetia a maioria esmagadora dos angolanos.

Tendo desenvolvido em si a consciência política de luta para a transformação da situação que se vivia, o então jovem Jonas Savimbi marcou a sociedade da época com atitudes de revolta contra a dominação estrangeira e colonial, que apelavam para a necessidade de acções que conduzissem o povo angolano a autodeterminação.

As perseguições e as cadeias da PIDE DGS contra Jonas Savimbi, em Portugal e em Angola, foram o corolário da sua participação no esforço multifacetado para a libertação de Angola e dos angolanos do jugo colonial português.

A sua filiação na UPA-FNLA, onde exerceu funções de relevante valor político, de Secretário-geral e de Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Revolucionário de Angola no Exílio – GRAE, foi a sua mais elevada expressão de devoção à causa de libertação de Angola.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi foi também um homem preocupado com as causas africanas. A sua participação na criação da Organização de Unidade Africana, OUA, em Maio de 1963, foi uma demonstração de que a libertação de África da dominação colonial constituía um dos seus anseios mais profundos.

Com a fundação da UNITA, a 13 de Março de 1966, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi encetou passos decisivos que deram um novo alento ao processo de luta de libertação de Angola que veio a culminar com a proclamação da independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975.

É para todos observadores atentos da realidade angolana, inquestionável, o contributo prestado por Jonas Malheiro Savimbi para a paz em Angola. A história de Angola registou os seus esforços para a reconciliação entre os Movimentos de Libertação de Angola, FNLA, MPLA e UNITA que se traduziram na ocorrência de conferências no Luso, em Lusaka e Kinshasa, envolvendo as lideranças desses movimentos nas pessoas de Álvaro Holden Roberto, António Agostinho Neto e Jonas Malheiro Savimbi, respectivamente.

No acordo de Alvor, em Janeiro de 1975, Portugal, então potência colonizadora, reconheceu, em pé de igualdade, os Movimentos de Libertação de Angola, como únicos e legítimos representantes do povo angolano. Mas os destinos de Angola já estavam traçados no Kremelin. O funcionamento do Governo de Transição foi inviabilizado, as eleições para a assembleia constituinte de Angola, calendarizada para Outubro de 1975, não tiveram lugar e a situação política deteriorou-se, resvalando-se, o país para uma guerra civil devastadora, não obstante os apelos de Jonas Savimbi para a paz e unidade nacional.

Apesar da exclusão e da violência da guerra movidas pelo MPLA e seus aliados do Bloco de Leste contra a UNITA, Jonas Malheiro Savimbi continuou a defender a agenda da paz e reconciliação nacional, que passavam pelas negociações directas entre irmãos desavindos.

O fracasso das sucessivas ofensivas militares contra Mavinga e Jamba propiciou o início das negociações entre a UNITA e o MPLA, em Portugal, que após longos meses de discussões, sob mediação do governo português e observação dos Estados Unidos da América e da União Soviética, as partes concluíram o acordo de Bicesse, assinado pelos Presidentes Jonas Malheiro Savimbi pela UNITA e José Eduardo dos Santos pelo MPLA.

A instituição do Multipartidarismo e a realização de eleições em Angola são, sem sombra de dúvidas, o resultado da visão estratégica de Jonas Malheiro Savimbi, que em 1966, perspectivou a inserção de Angola no concerto das nações democráticas do Mundo, ao plasmar no Manifesto do Muangai “Democracia assegurada pelo voto do povo através de vários Partidos”.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, cujo pensamento é objecto de estudo em universidades, centros de investigação científica, vai continuar a ser uma referência incontornável e fonte de inspiração para as gerações presentes e vindouras.

Por ocasião do 14º aniversário da sua morte em combate, a UNITA, do topo à base, orgulha-se de ter sido fundada e dirigida por Jonas Malheiro Savimbi. Os seus membros e militantes reiteram o compromisso de continuar a trilhar os caminhos indicados pelo Dr. Jonas Malheiro Savimbi para se implementar o Projecto de Muangai, capaz de trazer a real felicidade para as camadas mais desfavorecidas da sociedade angolana, hoje assoladas pela crise económica e financeira resultante da baixa do preço do barril de petróleo no mercado internacional, mas também da falta de visão estratégica do governo do MPLA.

É urgente dotar Angola de um governo que encare de forma diferente a governação do país e que implemente o pensamento estratégico de Jonas Savimbi no que respeita à busca de soluções económicas, priorizando o campo para beneficiar a cidade, tal como recomenda o Projecto do Muangai.

A UNITA reafirma que mantém a sua vontade de realizar, assim que as condições o permitirem, os funerais condignos do Dr. Jonas Malheiro Savimbi e demais dirigentes do Partido tombados pela paz e exorta o Executivo angolano a cumprir as suas responsabilidades atinentes a este processo.

Viva a memória eterna do Dr. Jonas Malheiro Savimbi
Unidos Venceremos.

Luanda, aos 20 de Fevereiro de 2016.
O Secretariado Executivo do Comité Permanente

(nota de imprensa enviada à nossa redacção com pedido de publicação)

 

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