Catroga: Bruxelas vai dar “luz laranjinha” ao Orçamento

(TVI24)

Economista acredita que o Governo vai encontrar um pronto de convergência com a Comissão Europeia, mas que a nível interno, com os partidos de esquerda, vai acentuar-se a “incompatibilidade de objetivos”.

O economista Eduardo Catroga acredita que a Comissão Europeia vai dar uma “luz laranjinha” ao esboço do Orçamento do Estado para 2016. Numa altura em que ainda decorrem as negociações, em entrevista à Lusa, o economista afirma que a luz que virá da Comissão Europeia será “intermitente” e não vermelha, o que seria “catastrófico” para Portugal.

“Um amarelo muito forte também seria muito mau em termos de sinais de confiança para os mercados”, considerou.

Catroga antecipa que o Governo e a Comissão Europeia vão encontrar “um ponto de convergência”, que será entre o objetivo inicial do executivo, de redução do défice estrutural de 0,2 pontos percentuais, e a recomendação do Conselho Europeu, de uma diminuição de 0,6 pontos do défice estrutural este ano. O Governo afirmou esta qurta-feira que as negociações com Bruxelas sobre o esboço de Orçamento do Estado “estão bem encaminhadas”.

“A União Europeia gostaria de uma melhoria de 0,6 pontos percentuais, mas vai aceitar uma melhoria de 0,3, por exemplo”

Para o economista, “é de uma evidência cristalina” que a reversão dos cortes estruturais não pode ser considerada uma medida pontual, como o Governo inscreveu no esboço de orçamento, porque “tem efeitos em vários anos”.

O anterior governo, sublinha, comprometeu-se a substituir o corte de salários “por outras medidas de efeito equivalente”, levando a União Europeia a considerar o corte como medida permanente.

Por isso, afirma, “o Governo vai corrigir” o esboço de orçamento do Estado, mas o chefe do executivo tem por resolver “uma quadratura do círculo muito complexa”.

“Tem uma tarefa de, por um lado, seguir uma política económica de rigor, que ele diz que são os compromissos europeus, que disse que sempre iria satisfazer, e depois tem compromisso com os seus parceiros mais à esquerda, que não são sensíveis à definição de política económica de rigor”, salienta.

Assim, para o economista, existe uma “incompatibilidade de objetivos” que se sente já na preparação do Orçamento do Estado para este ano, mas que “se vai acentuar à medida que o tempo vai decorrer, seja em 2016, 2017 ou 2018”.

“A menos que haja um milagre de converter o Bloco de Esquerda e o PCP ao rigor da política económica exigida pela globalização competitiva e pela União Europeia e pelo euro”.

Para o antigo ministro das Finanças há cinco prioridades e desafios para a economia portuguesa: a sustentabilidade das contas públicas e das contas externas, o fortalecimento do sistema bancário (como pilar do financiamento à economia), a dinamização do investimento produtivo e a produtividade e competitividade.

“Vamos ter o orçamento possível, não será o orçamento desejável das necessidades estratégicas da economia portuguesa, será o orçamento possível. Não pelas exigências de Bruxelas, mas pelas exigências de política económica de rigor”, afirma. (TVI24)

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