Campanha recolhe fundos na Austrália para levar vítimas de pedofilia a Roma

Campanha na Austrália para recolher fundos de modo a levar vítimas da pedofilia até Roma Foto: Lusa/D.R

Uma campanha de recolha de fundos para vítimas de pedofilia irem a Roma ouvir o cardeal Pell depor, no âmbito de um inquérito das autoridades australianas, duplicou os seus objetivos em dois dias.

Por estar doente, o cardeal Pell, que dirige a Secretaria da Economia do Vaticano, não pode viajar para a cidade de Ballarat, no estado de Victoria, no sul da Austrália, para depor perante uma comissão australiana, pelo que deverá prestar declarações através de vídeoconferência a partir de Roma no final do mês.

“Os sobreviventes de abusos sexuais infantis de Ballarat sentem que a audiência cara-a-cara se afigura importante para a cura e compreensão”, escreveram os promotores da campanha de financiamento coletivo (‘crowdfunding’) na página na Internet “gofundme”.

“Em face das notícias de que o cardeal Pell não pode vir aqui, parece apropriado levar os sobreviventes a Roma para se sentarem diante de Pell enquanto ele fornece provas”, acrescentaram.

O cardeal australiano, que foi sacerdote em Ballarat East antes de se tornar arcebispo da cidade de Melbourne e, posteriormente, de Sydney, sempre negou ter tido conhecimento de qualquer abuso sexual, incluindo pelo padre pedófilo Gerald Ridsdale, que abusou sexualmente de dezenas de crianças ao longo de duas décadas.

O grupo de sobreviventes esperava juntar 55 mil dólares australianos (35.102 euros) para enviar 15 pessoas a Roma quando lançou a iniciativa esta semana, mas já angariou mais de 110 mil dólares (70.198 euros), sendo que o período para donativos ainda não terminou.

Andrew Collins, um porta-voz do grupo de sobreviventes, afirmou que a resposta tem sido incrível.

“Não é tanto só olhá-lo nos olhos; é fazer parte desse processo, ter a certeza de que o devido processo é facultado a toda a gente”, disse à emissora ABC.

“Tivemos de apresentar provas diante de todo um cenário semelhante ao de um tribunal. Não o fizemos em privado”, realçou.

Collins afirmou que facultar as suas próprias provas de abusos sexuais à comissão australiana que investiga a resposta institucional aos casos de abusos sexuais no seio das organizações religiosas, estatais e públicas, foi angustiante.

Os clérigos de topo da igreja católica australiana têm manifestado o seu apoio a Bell, tendo-o descrito, no ano passado, como “um homem íntegro, comprometido a ajudar os outros”.

Mas, por outro lado, durante as audiências no seio da comissão ouviu testemunhos de que Pell tentou subornar uma vítima de Gerald Ridsdale para a manter em silêncio.

Pell, que acompanhou Ridsdale a tribunal em 1993 quando admitiu os abusos generalizados, negou repetidamente ter conhecimento dos casos, ter ajudado a transferir o sacerdote para outra paróquia ou ter tentado comprar o silêncio de alguém.

A comissão foi criada após uma década de pressão para investigar denúncias de pedofilia na Austrália e ouviu relatos de abusos de crianças envolvendo lugares de culto, orfanatos, grupos comunitários e escolas.

Pell já prestou declarações, pessoalmente, na comissão, em março de 2014. (Agência Lusa – DM/MP)

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