Cameron: “Só farei acordo se conseguirmos o que o Reino Unido precisa”

(REUTERS)

Depois de uma noite inconclusiva, os líderes europeus regressaram esta manhã às conversações para encontrar pontos comuns que permitam a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Depois de uma noite de negociações inconclusivas e à entrada para o Conselho Europeu em Bruxelas onde se debatem as propostas para reenquadrar o Reino Unido, o primeiro-ministro britânico David Cameron reconheceu a ausência de acordo e disse que só haverá entendimento se for alcançado o que Londres pretende.

“Estive lá até às cinco da manhã a trabalhar e fizemos alguns progressos, mas ainda não há acordo. Só farei um acordo se conseguirmos o que o Reino Unido precisa. Farei tudo o que puder”, garantiu Cameron esta sexta-feira, 19 de Fevereiro.

Minutos antes, o Presidente francês François Hollande – a quem tem sido atribuído parte do impasse nas conversações – avisou que a regulação do sector financeiro deve ser comum a todo o espaço europeu, sem direito de oposição por parte de qualquer Estado-membro.

“Vamos trabalhar esta manhã porque esta noite houve propostas trocadas entre nós. No que diz respeito à França, a vontade é que haja uma regulação financeira em todas praças da Europa e que não haja direito de veto ou de obstáculo para que possamos lutar contra a especulação e a crise financeira da mesma forma, em todo o lado e com os mesmos órgãos”, disse Hollande.

A França (que está contra o veto britânico a mudanças na Zona Euro e vantagens competitivas para a banca inglesa, algo a que também Angela Merkel já se opôs), a Bélgica (que desafia a pretensão de Londres de não abdicar de mais soberania para aprofundar a integração europeia) e a República Checa (que se opõe às propostas para adiar o acesso de cidadãos terceiros a benefícios sociais no Reino Unido ou reduzir o apoio dado a imigrantes) parecem ser os mais resistentes aos termos propostos pelo Conselho Europeu ao Reino Unido.

“As propostas não satisfazem todas as partes, não terminámos e espero que ao fim da tarde tenhamos um texto que satisfaça a todos”, afirmou  Xavier Bettel, primeiro-ministro do Luxemburgo, também à entrada para a reunião onde está em análise o lote de propostas feitas pelo Conselho Europeu a Londres para que o Reino Unido se mantenha da União Europeia.

O jantar de ontem à noite – onde era suposto ter sido fechada grande parte das propostas – demorou mais de cinco horas e fez com que o prometido pequeno-almoço inglês para hoje, onde só se acertariam os detalhes, derrapasse para mais tarde.

Durante a madrugada, os primeiros-ministros irlandês e italiano admitiram uma maior demora nas conversações. Matteo Renzi diz que foram dados alguns passos atrás nas negociações e que está menos optimista num acordo, ao passo que a chanceler alemã reconheceu que um acordo é difícil mas que existe vontade.

O primeiro-ministro britânico espera fechar com os parceiros europeus uma proposta que lhe dê força política para defender no Reino Unido a permanência na EU, nomeadamente no referendo que prometeu realizar e que se prevê para Junho próximo. (Jornal de Negocios)

por Paulo Zacarias Gomes

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