BPI: Angola corre mais riscos com austeridade e reformas desordenadas

Luanda (Foto: Sérgio Afonso)

O gabinete de estudos económicos do banco BPI considera que Angola enfrenta um ambiente económico difícil este ano, podendo ser adicionalmente prejudicada pela implementação desordenada dos cortes na despesa e na aplicação das reformas estruturais.

“A perspectiva de curto prazo continua desafiante devido ao ambiente externo adverso, uma vez que os preços internacionais do petróleo não devem recuperar rapidamente para os níveis registados no passado”, escrevem os analistas do BPI  numa nota de análise aos mercados africanos.

No documento, a que a Lusa teve acesso, o BPI nota que, para além da vulnerabilidade decorrente da excessiva dependência do petróleo na economia, outros riscos “incluem uma implementação desordenada dos cortes orçamentais, os contínuos desequilíbrios no mercado das reservas estrangeiras e as derrapagens na implementação das reformas estruturais”.

Para os analistas do BPI, os impactos negativos podem também surgir do estrangeiro, principalmente oriundos das decisões de política monetária  dos Estados Unidos, cuja subida das taxas de juro prejudica os mercados emergentes em geral, e Angola em particular.

Na análise sobre os desafios para este ano, considera-se que “apesar dos dados macroeconómicos terem melhorado face à crise anterior, a perspectiva de evolução da economia permanece vulnerável a uma recuperação lenta dos preços do petróleo”.

O aumento da produção de petróleo nos últimos meses, que ajudou a superar o efeito dos preços baixos, “não foi, no entanto, suficiente para evitar uma queda significativa das receitas fiscais e das exportações”.

No documento, o BPI lembra que o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 3,5% este ano, repetindo o valor do ano passado, e que a expansão da economia petrolífera abrandou de 6,8% em 2015 para 3,9% este ano. (jornaldenegocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA