Benfica sem poupanças no regresso à Champions

Samaris, Mitroglou e Jovic durante o treino de segunda-feira Foto: FRANCISCO LEONG/AFP

“Este é o nosso lugar.” É por considerar que o Benfica está entre os seus pares na elite do futebol europeu que Rui Vitória nem pensa em poupar jogadores no confronto desta terça-feira, na Luz, com o Zenit de São Petersburgo, a contar para a primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Nada menos que o melhor “onze” possível é o que promete o técnico benfiquista para o embate com uma equipa russa cheia de “velhos” conhecidos, sem ter em conta que jogou (e perdeu) na última sexta-feira para o campeonato com o FC Porto e a viagem a Paços de Ferreira que fará no próximo sábado.

“Nós estamos muito felizes em estar nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Este é o nosso lugar e o que importa é só o jogo de amanhã [terça-feira]. Não estou preocupado com o que vem no sábado. Não faço gestão do que quer que seja”, garantiu o treinador dos “encarnados” no lançamento do jogo. Confirmando-se que irá apresentar o melhor “onze” possível, Rui Vitória não irá fugir à estratégia utilizada durante a fase de grupos, em que pouco ou nada mudou entre compromissos europeus e nacionais. Mas, como mostram os resultados, nem sempre correu bem.

Não é apenas uma coincidência, é um facto. O Benfica só estabilizou no campeonato quando ficou para trás a fase de grupos da Liga dos Campeões. Foi só depois de terminar a fase de grupos que os “encarnados” deram início a uma série de 11 vitórias consecutivas (entre as várias competições) e que terminou na sexta-feira passada, com o segundo desaire da época frente ao FC Porto. Duas das quatro derrotas sofridas no campeonato aconteceram logo após uma jornada europeia (desaire com o FC Porto após triunfo sobre o Astana e desaire com o Sporting após derrota na Turquia), sendo que a eliminação da Taça de Portugal, em Alvalade, aconteceu poucos dias antes da viagem ao Cazaquistão.

Sem o calendário carregado pelos compromissos europeus é que os “encarnados” começaram a ganhar de forma consecutiva e foi nesse período que Rui Vitória apurou o seu plano A. O jogo desta terça-feira servirá, assim, para ver como esta versão vitoriosa e goleadora do Benfica reage, não apenas a uma fase mais intensa da época, mas, também, como reage a uma derrota — na presente temporada o Benfica venceu quase sempre após um desaire, excepção feita à derrota na Turquia e ao desaire em Alvalade.

Hibernação russa
Se o Benfica volta, agora, a ter um calendário mais exigente, o Zenit sofre do problema oposto, falta de competição. A equipa orientada por André Villas-Boas já não faz um jogo oficial desde 9 de Dezembro do ano passado, quando defrontou o Gent na última jornada da fase de grupos da Champions. Ou seja, para enfrentar uma equipa que quer manter o ritmo, chega uma equipa com falta de ritmo e isso, defende o técnico português do Zenit, pode ser um problema.

“A falta de ritmo competitivo é o nosso ponto fraco. Tivemos uma óptima preparação e o nosso objectivo é conseguir um resultado que nos permita levar a discussão da eliminatória para o nosso campo. É uma paragem grande para uma equipa russa que queira competir na Europa. Mas, se conseguirmos ultrapassar as próximas eliminatórias, não temos o desgaste acumulado e pode ser uma vantagem depois”, reconheceu o antigo técnico do FC Porto. Já Rui Vitória não considera esta falta de ritmo dos russos necessariamente uma vantagem para o Benfica: “Não sabemos se será vantagem ou desvantagem. Poderão ter menos ritmo de jogo, mas não vai mudar a nossa estratégia.”

Depois de uma paragem de Inverno de três meses, que incluiu estágio no Qatar e no Algarve, o Zenit só no início de Março é que irá voltar à acção na Liga russa, na qual ocupa um discreto sexto lugar, a sete pontos do líder CSKA Moscovo, com 18 jornadas disputadas. Ao contrário da competição interna, o Zenit tem feito uma excelente campanha na Champions, ganhando o seu grupo com enorme facilidade, com cinco vitórias em seis jogos, num quadro de jogos que incluía Lyon, Valência e Gent (o outro apurado para os “oitavos”).

Da última vez que o Zenit esteve nos “oitavos” da Champions, também sofreu com a interrupção das competições russas, eliminado pelo Borussia Dortmund em 2013-14. Foi também durante um hiato competitivo que Zenit e Benfica se encontraram nos oitavos-de-final da Champions em 2011-12. Os russos, então treinados pelo italiano Luciano Spalletti, venceram na primeira mão, em São Petersburgo, por 3-2, mas o Benfica de Jorge Jesus acabaria seguir em frente com uma vitória por 2-0 na Luz, caindo na eliminatória seguinte frente a um Chelsea que viria a ser campeão europeu e do qual André Villas-Boas foi despedido a meio da temporada.

por Marco Vaza (Público)

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