Barragem de Cambambe – uma oportunidade para aplicação de conhecimentos

Obras de ampliação e modernização da barragem de Cambambe (Foto: Angop)

A ampliação e modernização da barragem de Cambambe, no Cuanza Norte, iniciada em Março de 2009, é tida pelos jovens que aí trabalham não apenas como um investimento que visa impulsionar o desenvolvimento do país, mas uma oportunidade para a consolidação e aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no campo académico.

Numa reportagem efectuada pela Angop nas obras da referida barragem, constatou-se que muitos jovens recém-formados em diferentes domínios encontraram na empreitada o seu primeiro emprego, ao mesmo tempo que procuram conciliar os conhecimentos teóricos à prática, pelo seu envolvimento directo nos trabalhos.

Tal é o caso do engenheiro electromecânico, Alfredo Jaime, de 33 anos de idade, que após a conclusão da sua formação académica fez parte de um grupo de trabalhadores tutelados pela então Empresa Nacional de Electricidade (ENE), dedicado ao apoio logístico a todas as centrais hídricas do país.

Com a implementação do projecto da barragem de Cambambe disse ter encontrado uma “grande oportunidade”, onde além da aplicação dos conhecimentos adquiridos, sente-se regozijado por integrar a mão-de-obra de um empreendimento de importância imensurável para a vida dos Angolanos, após ter participado do processo de reabilitação e modernização da central número 1.

“É um processo bastante animador, pois, como angolano e jovem que sou, sinto-me orgulhoso por fazer parte desta tarefa que em muito irá contribuir para a melhoria do modo de vida de muitos cidadãos, com o aumento da produção de energia”, declarou.

Lembrou, com alguma emoção, que o critério de selecção para o acesso ao quadro de pessoal das obras foi bastante facilitado e o seu dia-a-dia é de muitas lembranças ao lidar com especialistas (nacionais e expatriados) ligados às indústrias de produção de energia eléctrica há já longos anos, o que tem contribuído satisfatoriamente para o aprimoramento dos seus conhecimentos.

Alfredo Jaime louva o espírito de camaradagem que caracteriza muitos expatriados de quem recebe muita experiência, um feito que representa dupla valência nos ganhos a serem alcançados pelo país que terá não só mais electricidade para potenciar o sector produtivo, mas também homens capazes de gerir o que se vai edificando ao longo do processo de desenvolvimento nacional.

“Projectos de envergadura como este, à semelhança do Laúca, trazem ao país valor agregado, ao conferir competências profissionais à mão-de-obra nacional, a quem será conferida a responsabilidade para manutenção e sustentabilidade dos mesmos, um feito que exige responsabilidade dos angolanos, sobretudo os jovens, considerados o garante do futuro”, concluiu Alfredo Jaime.

Já Margarida Pedro Gaspar, de 27 anos de idade, a exercer a função de assistente técnica do meio ambiente, ressalta o facto da construção de um empreendimento à dimensão da barragem de Cambambe envolver vários sectores, entre eles o ambiental.

A sua intervenção nas obras passou por um período de formação básica sobre a necessidade da preservação do meio ambiente, uma componente indispensável em todas as frentes do trabalho, ao envolver o próprio homem com a natureza.

Em sua opinião, este tipo de tarefas ao serem permanentes traria ganhos enormes ao país, quer pela formação de técnicos em áreas nucleares para o desenvolvimento, quanto pela geração de renda familiar.

Reconheceu não ser tarefa fácil trabalhar num projecto desta dimensão e complexidade, mas a necessidade de se construir e a vontade de vencer desafios norteiam as equipas de trabalho, mesmo na posição de mulher.

Margarida Pedro Gaspar manifestou-se vencedora ao fazer parte da equipa, cujas experiências terão aplicação prática no resto da vida.

Para a entrevistada, agora que as obras entram na fase derradeira surge a saudade, pois, independentemente do dinheiro que recebe alimenta a ansiedade de manter o contacto diário com colegas, incluindo as chefias que coordenam todas as operações e sentir o roncar das várias máquinas, num processo que considera “muito complexo”, mas possível de enfrentar.

A primeira etapa da modernização da barragem de Cambambe terminou em meados de 2011 com a reabilitação e ampliação da capacidade de produção dos quatro grupos geradores de electricidade da antiga central, que passaram a funcionar a cem porcento, produzindo agora 65 Megawotts (MW), cada um, contra os anteriores 45 Mw.

Foi também nessa altura que arrancaram os trabalhos da segunda fase do projecto que abarca a construção da segunda central, com quatro grupos geradores, em que cada um terá uma capacidade de produzir 175 Mw.

Prevê-se que a segunda central inicie a funcionar em Junho deste ano com a entrada em serviço do primeiro, dos quatro grupos geradores, o que sucessivamente dará lugar à entrada em actividade aos demais três.

A conclusão dos trabalhos da segunda etapa está marcada para Dezembro do ano corrente, numa empreitada que envolve perto de quatro mil e 200 postos de trabalho, 92 porcento dos quais ocupados por angolanos.

Já a terceira fase da empreitada incluiu a elevação da queda da barragem de 102 para 132 metros, uma acção a cargo da empreiteira brasileira Odebrecht. As obras envolvem ainda a empresa alemã Voith, que fornece as turbinas, a francesa “Alston”, responsável pelo fornecimento dos geradores e a brasileira “Engevix”, especializada em engenharia eléctrica.

A barragem de Cambambe, situada no município com o mesmo nome, foi construída entre os anos 1958 e 1962 com quatro grupos geradores a produzirem um total de 180 Mw. (ANGOP)

por Moíses Francisco

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