Bancos europeus estão em risco de colapso

(Foto: D.R.)

Os bancos europeus registam uma quebra significativa na sua carteira de negócios, na sequência da queda sistemática do preço do petróleo no mercado internacional, noticiou ontem a imprensa europeia que antevê uma tendência de quedas generalizadas ao longo de 2016.

Analistas do mercado agregam ao impacto da quebra do petróleo nas empresas e países mais dependentes da venda e exportação do “ouro negro”, a consequente multiplicação do total de créditos malparados em alguns dos maiores bancos mundiais, a conta das dificuldades de liquidez ou financiamento destas mesmas empresas ou países, o “arrefecimento” chinês e de várias economias emergentes, como a Rússia e o Brasil, e a crise interminável em alguns países.

Tudo isto, dizem os analistas, está a formar sobre a cabeça do sector financeiro mundial uma tempestade perfeita e a começar a concretizar o cenário que já muitos anteviam na viragem de 2015 para 2016.
“Tal como alertámos, este ano parece-se cada vez mais com 2008”, apontava uma análise do Royal Bank of Scotland (RBS). E ia mais longe: “Vendam tudo!”, “os investidores devem ter medo”, este vai ser “um ano de cataclismo”.
O banco francês Société Génerale (SG) previu uma desvalorização de 75 por cento nas bolsas norte-americanas ao longo de 2016. Esta semana, o “Telegraph” avisou: “Preparem-se para uma onda caótica de reestruturações de dívidas públicas”. Ainda no início do ano e antes do RBS ou do SG, já o Banco Mundial tinha avançado com previsão semelhante.
O risco de abater-se uma “tempestade perfeita” em 2016 é elevado, avisaram os economistas do Banco Mundial, apontando que o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul entraram em desaceleração de forma simultânea.

Estas economias, lembram os analistas, foram os principais motores económicos nos últimos anos e quando começaram a tremer, o comércio internacional perdeu o lubrificante e vice-versa.
À redução do fluxo do comércio internacional, os analistas acrescentam as quebras nas condições financeiras de empresas e países, alguns dos quais em situação cada vez mais difícil. O FMI recomendou este mês que se avance com uma reestruturação alargada da dívida pública venezuelana, um país que deve registar 720 por cento de inflação este ano.

Juros negativos

O Banco do Japão e o Banco Central Europeu (BCE) adoptaram taxas de juros negativas sobre os depósitos bancários, enquanto as taxas oficiais de empréstimo na Suíça e na Suécia são negativas, refere o JP Morgan no seu relatório mensal. Os bancos centrais do Japão e Europeu adoptaram taxas negativas, desde o princípio do mês, o que contribui para a actual tubulência nos mercados financeiros.
Investidores preocupados com os impactos negativos do dinheiro bastante barato sobre bancos e mercados globais acreditam que os benefícios de mais estímulos que tomam a forma de compras de activos ou de orientações futuras podem ser limitados. “Isso significa que a fraqueza do crescimento global e a baixa inflação podem forçar até o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra a adoptarem juros negativos”, admitem.Os analistas alertam que os juros negativos são potencialmente danosos para os balanços e para as margens financeiras de juros dos bancos.
Mas os limites inferiores para as taxas estão bem abaixo do que muitos presumiam, concluiu o relatório do JP Morgan, sugerindo que os bancos podiam absorver o golpe mais facilmente do que temido.
No caso das taxas de depósito, o FED pode, em princípio, chegar a -1,3 por cento; a Grã-Bretanha pode reduzi-las a -2,5 por cento; -4,5 por cento na zona do euro; e -3,45 no Japão, escreveram os economistas Malcolm Barr, Bruce Kasman e David Mackie em nota publicada na terça-feira.
Num mundo de juros negativos, a menor taxa cobrada sobre depósitos no banco central torna-se efectivamente o ponto de referência padrão para os mercados, disseram os economistas.Matéria publicada na quarta-feira pelo “The Guardian” comenta que a grande queda nos mercados de acções da Ásia pode ser o reflexo da insegurança dos investidores com relação à capacidade dos bancos centrais em conter uma derrota global.
A reportagem diz que os novos temores sobre o sistema bancário aumentaram as preocupações sobre a economia global, e em consequência, o Nikkei caiu mais 2,3 por cento, após queda do dia anterior de mais de cinco por cento, indo para 16 meses de baixa e elevando as dúvidas sobre a força dos bancos e uma possível valorização do yuan, puxando o mercado.
Na Austrália, as acções do sector bancário e de mineração, o ASX/S & P 200, atingiram os seus índices mais baixos desde 2013. Os mercados chineses estão fechados esta semana por conta do feriado lunar.
Analistas admitem que os mercados podem estar a passar pelo início do “capítulo final” da tentativa por parte dos bancos centrais em estimular o crescimento com empréstimos a juros baixos. (jornaldeangola)

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