Banco Económico considera programa “Angola Investe” suporte para empresários

Jorge Pereira Ramos - Director Coordenador do Gabinete Banca Investimento do BE (Foto: Clemente dos Santos)

O director coordenador do gabinete da Banca Investimento, do Banco Económico (BE), Jorge Pereira Ramos, considerou hoje (quarta-feira), em Luanda, que o programa ?Angola Investe?, do Executivo angolano, permite, num momento de crise, causada pela queda do preço do petróleo, apoiar a diversificação da economia em curso no país e facilitar o surgimento de novos empresários.

Em entrevista à Angop, sobre “A importância do programa Angola Investe no processo da diversificação da economia”, Jorge Ramos afirmou que a diversificação económica, em última instância, pertence aos empresários, por serem os responsáveis a escolherem o destino do investimento.

“O Executivo pode dar orientações genéricas, por isso é que fez o plano de enquadramento, o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que estabelece um conjunto de políticas macroeconómicas para os agentes económicos”, referiu.

Salientou que, na verdade, os obreiros da diversificação económica do país são os homens e as mulheres que decidem onde devem investir, escolhendo os sectores em função da exigência do mercado, na localidade ou na região, onde o empresário pretende direccionar as vendas.

Na sua óptica, o programa surge com políticas e incentivos, que visam apoiar os empresários, fundamentalmente, as enquadradas nas Micro, Pequenas e Médias Empresas, sublinhando que um projecto, até cinco milhões de dólares, ou o equivalente em Kwanzas, em qualquer sector, tem alguma relevância com impacto local, regional e multiplicador na actividade económica.

O responsável opinou que o programa “Angola Investe”, bem traçado pelo Executivo, tem vindo a consolidar-se junto da nascente classe empresarial angolana, num cenário em que não há muitos apoios ao financiamento de novos projectos de investimento.

Para a fonte, o traçado permite, ainda, o acesso a financiamentos, a taxas competitivas (máximo cinco porcento) e a prazos dilatados (sete anos), com período de carência de capital, acesso prioritário às divisas para importação de máquinas e equipamentos, e apresenta factores motivadores do risco do investimento em novos projectos (start ups) e em novos empreendedores, através do acesso a garantias públicas.

Exemplificou que as taxas de juro, no últimos seis a nove meses, subiram cerca de quatro porcento, o que quer dizer que o empresário normal, que pagava 12 porcento, em 2015, hoje está a pagar, em média, 16 porcento ou mais, enquanto as novas empresas que foram financiadas pelo “Angola Investe” estão protegidas pelas altas taxas de juros, ou seja, pagam uma taxa de juros bastante competitiva, para permitir o crescimento e consolidarem-se.

Questionado sobre os sectores prioritários para potenciar a economia, fez saber que ”mais importante que os sectores, são o valor acrescentado bruto”.

Exemplificou que a construção de uma fábrica, que tem um impacto imediato nas divisas e que, depois, a prazo, implica uma grande dependência de matérias-primas, na prática pode ter um efeito não muito positivo para a economia.

“Se nós construirmos uma indústria química, com tecnologia de ponta, e, sistematicamente, estarmos a importar as matérias-primas de base, fica sempre muito dependente das importações e tem pouco valor acrescentado”, reforçou.

Afirmou ser importante apostar na macro sector Agricultura, Pecuária e Pesca, incluindo Silvicultura, e no macro sector Indústria Transformadora e Extractiva.

Sublinhou que a Agricultura não se esgota, somente, na produção, toda fileira agrícola, que implica agropecuária e silvicultura, aproveitamento de um “conjunto de cluster verde”, que pode produzir produtos para mercado nacional, como para exportação, nomeadamente milho e outros cereais para os países limítrofes de Angola, com vista a obter divisas.

Na visão do entrevistado, investir na agricultura, cumprindo os ciclos das culturas, tem uma grande vantagem, porque, rapidamente, tem produtos no mercado, tendo em conta o impacto imediato, num país que ainda não é auto suficientemente em termos de alimentação.

As pescas, também, são fundamentais, porque ainda é muito dependente das importações e não faz sentido, por possuir uma das maiores costas piscatórias do continente africano.

Outro sector que o director considera importante para se investir é o das águas, por ser um dos países que tem a terceira maior reserva aquífera do continente.

Existem países limítrofes de Angola que não reúnem condições de terras e climas iguais de Angola, como é o caso da Namíbia e do Congo, que têm uma grande densidade populacional.

Neste momento, é mais prioritário investir na agricultura, aproveitando a tradição que o país tem ou tinha o estatuto de uma potência no cultivo de algodão, café, sisal e na cana-de-açúcar, porque tem condições naturais, cimentou Jorge Ramos. (ANGOP)

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