Armas em mãos alheias – Nyusi preocupado

(DR)

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, manifestou quarta-feira, em Maputo, o seu desagrado com os indivíduos que portam ilegalmente armas, reiterando que apenas as autoridades têm o único e exclusivo direito de as possuir.

Nyusi, que falava na sede nacional da Frelimo, no âmbito das comemorações do seu aniversário natalício, assinalado na terça-feira, alertou aos moçambicanos sobre os perigos que incorrem ao permitirem que pessoas comuns estejam armadas, comparando-as com leões à solta, que a qualquer instante podem gerar terror e causar danos irreparáveis.

“O país está a ter um tipo de comportamento que agita toda a população. A circulação de armas não facilita o trabalho das autoridades, se uma arma está com a Polícia é possível dizer de onde um certo tiro vem, mas se esta mesma arma cai em mãos alheias aí fica-se sem se perceber e isso intensifica o crime. É como ter um campo disponível para plantações, com boa chuva, mas as pessoas temem sair de casa porque há leões que causam conflito e não permitem que as pessoas produzam num ambiente de paz e harmonia. Deixemos as armas, esse é o meu grande apelo”, disse Nyusi.

O Chefe do Estado acrescentou que Moçambique não pode ser uma excepção quando o assunto é a segurança e estabilidade, pois mesmo ao nível regional nenhum país permite a posse e circulação ilegal de armas.

“Não há país na região que deixa uma pessoa com arma a andar na estrada, e não podemos nós nos tornarmos um país estranho. Deixemos de transformar o país num lugar de pessoas estranhas. As armas devem ser entregues às autoridades, temos de estar muito engajados na denúncia deste tipo de situações”, apelou.

O Presidente da República manifestou a sua desilusão para com as pessoas (homens armados da Renamo) que não acataram o apelo para a devolução espontânea das armas, pois tais indivíduos não percebem que a democracia não é feita através de braços armados.

“Alguns irmãos não entendem quando dizemos para devolverem as armas sozinhos. Não entendem este gesto de tolerância. Não podemos e não deixaremos que armas continuem em mãos alheias. Não deixaremos que leões andem à solta, pois se não deixarmos as populações poderão produzir e ajudar a resolver o problema da fome ao nível da sua região”, explicou Nyusi.

Para o estadista moçambicano, não é possível que as pessoas aleguem a falta de confiança para continuarem armadas até hoje.

“A entrega das armas é que é a principal ferramenta para o debate. A democracia é feita através do debate, da discussão de ideias. Não queiramos agora inventar outro tipo de democracia em Moçambique”, disse Nyusi, acrescentando que todos os indivíduos devem ser protegidos e assegurados unicamente pelas autoridades, compostas pela Polícia e Forças de Defesa.

Nesta ordem, Nyusi instou os membros e simpatizantes do seu partido para que se engajem na promoção da paz, demonstrando a sua organização ao nível interno.

“Agradeço imenso o gesto. Isso demonstra a família unida, organizada e coesa que é a Frelimo. Ensinem as outras pessoas com actos’’, disse Nyusi, que também é presidente do partido no poder.

Por seu turno, o secretário-geral da Frelimo, Eliseu Machava, tranquilizou o Presidente da República, afirmando que tudo fará para que o partido e todas as suas organizações sociais se unam na promoção dos valores do patriotismo e massificação das ideias democráticas reinantes no seio desta organização política.

“Estamos dispostos a trabalhar com o nosso Presidente para juntos pensarmos no bem comum para a nossa sociedade. Estaremos lado a lado para ajudar na implementação do plano desenhado pelo partido, que tem em vista um uniforme desenvolvimento da sociedade moçambicana. Comprometemo-nos com acções concretas que permitam a materialização dos objectivos traçados pelo partido”, sublinhou Machava. (AIM)

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