Alimentos cada vez mais escassos em Angola

Na zona do Caponte, em Benguela, as filas à porta dos armazéns são longas e começam a formar-se logo de madrugada. (DW)

Angola pode enfrentar uma severa escassez de alimentos nos próximos meses. Os preços continuam a aumentar e os grandes grossistas já começaram a limitar a quantidade de produtos que os cidadãos podem adquirir.

A escassez de alimentos que atinge Angola tem levado a um aumento vertiginoso no preço dos bens alimentares, que já ultrapassa o poder de compra dos consumidores. Os grandes armazéns seguem uma orientação governamental, que tem como objectivo limitar a especulação e o mercado paralelo, e recusam-se a vender alimentos em grandes quantidades, permitindo apenas adquirir uma unidade de produtos como arroz, óleo ou leite.

Para os adquirir, muitas pessoas passam a madrugada à porta dos armazéns, onde é possível ver filas intermináveis de compradores, como é o caso na província de Benguela, por onde a DW África passou.

“Está difícil, muito mesmo. Eu cheguei aqui às 6h e ainda não comprei nada. Está assim desde o mês passado”, refere Maria Francisca, que está numa das longas filas dos armazéns na zona do Caponte, em Benguela. “Alguns armazéns estão com preços mais acessíveis, mas nos libaneses está tudo muito complicado”, refere outra compradora.

Esta situação reflecte a crise económica que o país atravessa, devido à baixa do preço do petróleo e à falta de divisas, e, nas ruas, as pessoas afirmam que, se as autoridades governamentais não tomarem medidas concretas, muitas famílias morrerão de fome. “Só queremos que a crise passe, porque, se continuar assim, não sei [o que vai acontecer]. As famílias vão morrer de fome”, afirma um dos cidadãos que passou toda a madrugada numa fila para adquirir alimentos.

Escassez de alimentos poderá causar agitação social

Para Francisco Viena, secretário executivo em Benguela da CASA-CE, a terceira força política em Angola, o agravamento da escassez de alimentos no país é uma situação que poderá provocar uma convulsão social generalizada.

“A previsão que nós temos, até porque não há povos permanentemente cegos, é de que, devido à fome e pobreza que já assola a maioria das famílias angolanas, sem deixar de parte famílias ligadas à classe média, teremos algumas convulsões sociais no país, porque a fome é o inimigo número um do ser humano”, afirma o político.

Para o representante da CASA-CE, os problemas que a população angolana vive actualmente, especialmente a escassez de alimentos, tem uma solução. “O nosso entendimento é que a mesma coragem que o Sr. Presidente da República e os senhores ministros tiveram em fazer uso ilícito dos dinheiros públicos devem ter agora de trazer os mesmos dinheiros que tiraram dos cofres de Estado para resolver os problemas que afectam os angolanos”, afirma.

Entretanto, a DW África tentou, sem sucesso, contactar o secretário para a Informação e Propaganda do MPLA, Mário António de Sequeira e Carvalho. De momento, não é conhecido o programa do governo angolano para aliviar a crise de alimentos que se vive no país. Apesar da gravidade, o tema não está a ser tratado nos meios de comunicação estatais nem nos órgãos privados sob tutela de grupos empresariais ligados ao regime. (ANGOP)

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