UA: Mugabe passa o testemunho a Déby Itno

O presidente Robert Mugabe passa o testemunho ao seu homólodo Idriss Déby Itno 30/01/16 (REUTERS/Tiksa Negeri)

Arrancou hoje em Addis Abeba a 26ª cimeira de chefes-de-Estado da União Africana. A cerimónia ficou marcada pela passagem de testemunho do presidente do Zimbabwe Robert Mugabe para o seu homólogo do Chade Idriss Déby Itno.

No discurso de tomada de posse, o novo presidente em exercício da União Africana disse que « a organização falava vezes demais mas que na altura de agir fazia muito pouco ».

Para não perder tempo, Idriss Déby Itno anunciou a criação de um comité de chefes-de-Estado para a Líbia que terá como missão reconciliar os dois governos de Toubrouke e Tripoli. O presidente do Chade referiu que a luta contra o terrorismo é urgente considerando que « o terrorismo alimenta-se da pobreza da região do Sahel, Lago Chade e Corno de África » cabe ao continente assegurar a própria defesa através da força de intervenção rápida africana.

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Déby defendeu ainda a reforma do conselho de segurança da ONU salientando que « os africanos têm de ser senhores do próprio destino ». Um tema que já tinha sido defendido antes na tribuna por Robert Mugabe que instou o secretário-geral da ONU que deixa o cargo este ano a apoiar os africanos na reforma do conselho de segurança das Nações Unidas.

Adeus de Ban Ki Moon

Esta foi a última cimeira de Ban Ki Moon enquanto secretário-geral das Nações Unidas. Ban Ki Moon saudou o julgamento de Hissène Habré referindo que é um marco para a justiça africana e que o Tribunal Penal Internacional é um aliado das vítimas do continente. O secretário-geral lembrou que em 2016 dezassete países africanos vão às urnas e pediu que se respeite as constituição sublinhando que ” os líderes devem proteger a população “.

O futuro do Burundi

A reunião seguiu depois à porta fechada. Entre outros assuntos, os chefes-de-Estado africanos analisam a crise do Burundi e o envio de uma força de manutenção de paz para o país. Uma força que continua a ser contestada pelas autoridades burundesas. Ontem cerca de uma dezenas de líderes reuniu-se no Conselho de Paz e Segurança da União africana e no final o ministro dos Negócios Estrangeiros burundês, Aimé Nyamitwe, voltou a reiterar a postura afirmando que “em nenhuma situação nós aceitaremos a força“.

Para já, o que se sabe é que nos próximos dias uma delegação de chefes-de-Estado irá visitar o Burundi.

O secretário-executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, o guineense Carlos Lopes, acredita que se vai alcançar uma boa solução para o Burundi.

Carlos Lopes também abordou a actual situação política na Guiné-Bissau afirmando à RFI que enquanto não se alterar a constituição as tensões entre os órgãos de poder vão manter-se. (RFI)

por Neidy Ribeiro

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