Turquia: Erdogan é acusado de não saber história

(AFP 2015/ ADALBERTO ROQUE)

As observações do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sobre a eficiência do sistema presidencial alemão sob a liderança de Adolf Hitler não correspondem aos factos históricos, escreve o jornal turco Hurriyet.

O comentário do colunista Mehmet Yilmaz Y. no jornal turco Hurriyet veio após Erdogan ter dito, durante uma conferência de imprensa, que a Alemanha sob a liderança de Hitler foi um exemplo de um sistema presidencialista capaz de manter a natureza unitária do Estado.

“Hitler foi nomeado primeiro-ministro do parlamento pelo presidente von Hindenburg. Naquela época, a Alemanha era governada por um sistema parlamentar. Mais tarde, Hitler mudou as leis. O presidente Erdogan está errado”, disse Yilmaz.

Após a morte de Hindenburg, em 1934, o gabinete alemão aprovou uma lei autorizando a fusão dos cargos de presidente e chanceler, com a subsequente liquidação deste último. Hitler assumiu os poderes de chefe de Estado e de comandante supremo da Alemanha.

Yilmaz acrescentou que Erdogan também errou ao explicar a necessidade do sistema presidencialista. Yilmaz citou as palavras de Erdogan: “Quando se olha para os países desenvolvidos, vê-se que a maioria esmagadora tem este sistema.”

Comentando a afirmação, Yilmas lembrou que «entre os 28 países da UE, apenas Chipre é governado por um sistema presidencialista e a França tem um sistema semipresidencialista. Todos os outros têm sistemas parlamentares».

Quanto aos países do G20, apenas sete países possuem sistemas presidencialistas: a Argentina, Brasil, México, Coreia do Sul, os EUA, Indonésia e África do Sul.

“Como você pode ver, com excepção da Coreia do Sul e dos EUA, nenhum dos países com sistema presidencialista é particularmente desenvolvido. É por isso que eles são chamados de países emergentes”, disse Yilmaz.

Erdogan tem amplos poderes na Turquia como presidente do país. Ele pode nomear ministros, incluindo o primeiro-ministro, promulgar leis, ratificar tratados internacionais e nomear os membros do Tribunal Constitucional. (SPUTNIK)

 

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