Tribunal Militar vai julgar Osvaldo Caholo o único militar entre os 17 ativistas

(DW)

No primeiro dia da segunda fase do julgamento dos ativistas angolanos o tribunal decidiu remeter para o Supremo Tribunal Militar o processo de Osvaldo Caholo o único militar entre os 17 réus.

O julgamento dos 17 ativistas acusados de planearem atos de rebelião e um golpe de Estado em Angola recomeçou esta segunda-feira (11.01) em Luanda, após a interrupção ditada por férias judiciais, justificadas pelo período de festas de Natal e Ano Novo.

O processo do tenente das Forças Armadas Angolanas (Força Aérea) Osvaldo Caholo, o único militar entre os 17 ativistas que estão a ser julgados, foi remetido para o Supremo Tribunal Militar, instituição que vai julgá-lo por crime de “extravio de documentos e divulgação de informação militar secreta”.

A informação foi avançada pelo juiz Januário Domingos que leu o requerimento do Supremo Tribunal Militar da Região de Luanda.

Em resultado desta decisão, o chefe dos Serviços de Inteligência Militar, o general António José Maria “Zé Maria”, não vai prestar declarações ao Tribunal de Luanda.

“Comunica-se ao juiz que tramite ao Tribunal Militar o processo 1582/2015 no qual figuram como réu Zenóbio Lázaro M. Sumba e Osvaldo Caholo pelo extravio de documento e divulgação de segredo militar”, leu o juiz de causa.

O referido processo, segundo Januário Domingos, foi movido pelo Serviço de Inteligência Militar por causa do documento encontrado no computador de Osvaldo Caholo.

Padre Pio Wakussanga e Pedro António do SIC foram interrogados

Durante a sessão, o Tribunal interrogou os declarantes padre Pio Wakussanga e Pedro João António, oficial do Serviço de Investigação Criminal (SIC) que chefiou a equipa que prendeu 13 dos 17 ativistas.

Segundo o juiz, os membros do chamado “Governo de Salvação Nacional” responderão em circunstância do envolvimento dos seus nomes no tal governo.

Os agentes do SIC e os dois cidadãos que apresentaram a denúncia serão ouvidos em circunstâncias de modo e tempo dos seus envolvimentos no processo.

Ao responder à instância do juiz, o padre que saiu da cidade de Lubango até à capital do país para falar do aparecimento do seu nome no projetado “Governo de Salvação”, onde figura como o presidente da Comissão Nacional Eleitoral, disse que nunca foi consultado para ocupar o suposto cargo.

“É a primeira vez que oiço falar oficialmente sobre este governo. Pertenço ao ministério eclesiástico integrado no direito canónico”, disse o sacerdote Pio Wakussanga. (DW)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA