Tratamento da malária: como o ferro afecta o parasita

Parasita Plasmodium é o responsável pela doença da malária Foto: Stephen Morrison/EPA

Os investigadores retiraram uma proteína transportadora de ferro do ADN do parasita da malária e perceberam que, sem ela, este não consegue tolerar os níveis de ferro.

A descoberta de um novo mecanismo usado pelo parasita da malária durante o processo de infeção foi publicado na revista científica Nature Communications. Os avanços no estudo da doença da malária, feitos no Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, poderão levar ao desenvolvimento de novos tratamentos para esta doença provocada pelo parasita Plasmodium.

Para iniciarem este estudo, os investigadores usaram a levedura (um fungo) como modelo para o parasita (um protozoário) e conseguiram descobrir uma importante via de transporte do ferro. “O parasita da malária depende da presença de ferro para sobreviver no hospedeiro. No entanto, níveis de ferro superiores aos normais podem ser altamente tóxicos”, explicou Maria Manuel Mota, investigadora que lidera a equipa que levou a cabo o estudo. O mesmo acontecendo com o modelo, a levedura.

Retirando uma parte do ADN responsável por criar uma proteína transportadora de ferro, os investigadores conseguiram ver que tanto o modelo (levedura) como o parasita tinham dificuldade em crescer na presença deste elemento.

Para realizem este estudo, os investigadores utilizaram uma estirpe mutante do parasita, em que suprimiram a proteína que transportava ferro. “Criámos um parasita de malária mutante que não contém o gene da proteína em questão, o que deu origem a um número reduzido de parasitas no fígado, o primeiro local onde este se multiplica e, consequentemente, um número reduzido de parasitas no sangue, considerada a fase em que indivíduos infetados manifestam sintomas da doença”, referiu Ksenija Slavic, investigadora do Instituto de Medicina Molecular. A falta dessa proteína fez com que o parasita não conseguisse tolerar o ferro, logo que não se conseguisse desenvolver.

A projeto de investigação contou com a colaboração de Henry Staines, investigador da Universidade de St George, que afirma que esta descoberta vai permitir não só “identificar novas maneiras de atacar o parasita”, como também perceber como funcionam as “drogas anti-malária” que existem atualmente. “Este novo conhecimento é extremamente importante, pois pode ajudar na produção de novas terapêuticas contra o parasita da malária, uma necessidade eminente,” explicou Maria Manuel Mota. Os investigadores planeiam agora estudar o impacto de fármacos anti-maláricos que utilizam ferro em parasitas mutantes. (Observador – Editado por Filomena Martins)

por Inês Mendes

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