Senado italiano debate legalização da união homossexual

(AFP)

O Senado italiano iniciou nesta quinta-feira pela primeira vez seu histórico exame de um projecto de lei para a legalização da união civil entre casais do mesmo sexo, um tema que divide profundamente o país.

A Itália, último país da Europa ocidental que não reconhece legalmente os casais homossexuais, tenta cobrir este vácuo lega, cujo resultado é incerto.

No sábado, dezenas de pessoas foram a 90 praças em todas as cidades da península para apoiar a lei que regulariza os casais homossexuais.

Os opositores à lei convocaram uma única manifestação em Roma para sábado, cujo impacto pode afectar o futuro da lei.

Caso aprovada, a lei passará para a Câmara dos Deputados para que seja ratificada.

Na sua forma actual, o texto, resultado de uma mediação parlamentar, estabelece que um funcionário oficial registará a união civil entre pessoas do mesmo sexo, que se comprometem a ser fiéis e assegurar o apoio moral mútuo e material.

“É inaceitável. Eu acho que nós não podemos ensinar nossos filhos e netos que existem outros tipos de famílias”, lamenta Massimo Gandolfini, neurocirurgião e coordenador do “Dia da Família”.

O papa Francisco, que costuma ser criticado pelos sectores mais conservadores por manter uma atitude menos beligerante sobre esses temas e evita lançar anátemas, nas últimas semanas condenou explicita e reiteradamente qualquer “confusão entre o matrimónio e as uniões homossexuais”, explicou.

Os aliados de centro-direita e os católicos ameaçam convocar um referendo para revogar a lei caso os pontos mais controversos sejam mantidos, incluindo a possibilidade de que os casais homossexuais adoptem crianças.

Pesquisas recentes indicam que a maioria dos italianos são a favor de regulamentar as uniões civis, mas se opõem à adopção por estes casais. (AFP)

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