Segundo comandante da PN e administrador da Caála ouvidos pelo tribunal sobre caso Kalupeteka

Julgamento do caso Kalupeteka (Foto: Júlio Vilinga)

O 2º comandante da Polícia Nacional (PN) na província do Huambo, subcomissário Joaquim Pereira, e o administrador do município da Caála, Victor Tchissingue, foram ouvidos, quarta-feira, pelo tribunal desta província, no âmbito do caso da extinta seita religiosa “Luz do Mundo”, de José Julino Kalupeteka, acusado de nove crimes de homicídio qualificado, cometidos em Abril de 2015.

No oitavo dia do julgamento de José Julino Kalupeteka e mais nove seguidores seus, foi ainda ouvido, na condição de declarante, Miguel Somakessenje (ex-administrador do município da Caála e actual 1ª secretário do MPLA na mesma circunscrição).

Os três confirmaram, em juízo, a desobediência e a resistência de Kalupeteka, em companhia de alguns seguidores, segundo as acusações do Ministério Público.

No tribunal, o subcomissário Joaquim Pereira declarou que o efectivo da Polícia Nacional deslocou-se ao acampamento da seita “Luz do Mundo”, conhecida ainda por seita de Kalupeteka, no dia 16 de Abril de 2015 para o cumprimento de um mandado de captura, emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié, contra o cidadão José Julino Kalupeteka.

Para o efeito, segundo o oficial comissário, foi constituído um posto comando principal junto do Comando Municipal da Caála e outro táctico que funcionou na unidade do quilómetro 25, uma vez que os agentes que se deslocaram ao Monte Sumi foram orientados para que tivessem cuidado, tendo em conta os antecedentes dos seguidores da seita na província do Bié, que resultou na agressão de oito membros da corporação e na morte de um.

Contou que o objectivo da deslocação ao acampamento da seita era de capturar o cidadão José Julino Kalupeteka, que, por sua vez, montou três pontos de controlo e de vigilância nos arredores do monte, para impedir a presença de efectivos da corporação, o que tornou difícil a negociação, fazendo com que operativos da Polícia de Intervenção Rápida fossem equipados de armas dissuasivas, como granadas de gás lacrimogéneo e escudos para dispersar os fiéis em caso de reacção por parte destes.

Joaquim Pereira explicou, ainda, que do ponto de vista organizativo foram criadas duas equipas, sendo uma de avanço, composta por agentes da Polícia de Intervenção Rápida e do Serviço de Investigação Criminal, ao passo que outra, composta por elementos da Ordem Pública, estava na retaguarda, em função das limitações de acesso, motivadas pelos pontos de observação dos seguidores de Kalupeteka.

Por sua vez, os declarantes Miguel Somakessenje e Victor Tchissingue confirmaram ter havido resistência dos fiéis da seita Luz do Mundo, aquando da realização à revelia de um acampamento no Monte Sumi, sem condições de habitabilidade, sanidade e de alimentação, onde eram notáveis crianças com doenças diarreicas agudas, febre tifóide, dor de cabeça e outras infecções.

Sustentaram, em seus depoimentos, que maior parte dos fiéis de Kalupeteka se encontravam ao relento, enquanto outros construíam casotas de chapa, com pretexto que não deviam juntar-se aos mundanos, pois aguardavam no local a vinda de Jesus Cristo.

Os mesmos, incluindo o co-réu José Kalupeteka, segundo os declarantes, desobedeciam as autoridades, respondendo de que não dependem de nenhuma administração, apenas de Deus.

Em tal processo, o Ministério Público acusa os co-arguidos de co-autoria moral e concurso real nos crimes de homicídio qualificado, sob forma frustrada, homicídio qualificado, sob a forma consumada, crime de desobediência, de danos materiais, de resistências e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

O incidente ocorrido monte do Sumi, no município da Caála, 49 quilómetros da cidade do Huambo, resultou no assassinato de nove agentes da Polícia Nacional, por elementos afectos a esta seita religiosa, dos quais consta o comandante da corporação no município Caála, superintende-chefe Evaristo Catumbela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida na província, intendente Luhengue Joaquim José, o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo, o 1º sub-chefe João Nunes, os agentes Luís Sambo, Castro Hossi, Manuel Lopes e Afonso António, assim como o delegado do Serviço de Inteligência e Segurança Interna do município da Caála, António Afonso. (ANGOP)

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