Seca em Moçambique causa danos na agricultura

(Estacio Valoi)

Mais de dezoito mil famílias na província de Maputo, sul de Moçambique, estão a ser afetadas pela fome resultante da seca extrema. Os mais afetados são camponeses e criadores de gado.

Quatro mil famílias estão em situação de dependência alimentar e há quem já tenha perdido mais de 30 cabeças de gado bovino por falta de água, uma vez que os principais rios também estão a secar por causa da canícula. Camponeses e criadores de gado são os mais afetados pela seca

Arnaldo Mutombene, criador de gado, no distrito da Moamba, 80 km a oeste da capital, Maputo, está desesperado porque não sabe onde levar o gado para beber água: “As nossas cabeças estão a morrer, não têm capim. Lá no nosso bairro já perdi trinta e cinco cabeças”.

As previsões iniciais para a época, de chuva normal e acima do normal para a região sul, alimentaram as esperanças do agricultor Timóteo Machava. Mas agora, diz “não tenho nem sequer meio hectare para trabalhar. Decidi parar de trabalhar e fazer apenas algo para a minha subsistência e a da minha família. Porque não temos água, não temos nada. Pode-se tentar apanhar água e regar um dia. Mas no segundo dia, todas as culturas já estão secas. O calor queima mesmo”.

Governo fornece assistência alimentar

O cenário de seca está a comprometer os resultados da primeira época da campanha agrícola 2015 /2016 na província de Maputo. No âmbito desta campanha, o Gverno provincial disponibilizou já aos agricultores mais de 300 toneladas de sementes diversas.

Mas Ernesto Macaringue, agricultor e criador de gado na região de Marracuene, a 30 km a norte da capital do país, viu a produção de arroz perdida por falta de chuva. E diz, apontando um campo seco: “Como vê, este campo aqui, é um campo em que já estaria a colher arroz. Mas como houve este problema de falta de água, o campo está assim como vê”.

Como forma de responder às necessidades das populações afetadas, o Governo de Maputo, acionou planos de assistência alimentar. A diretora provincial de Agricultura e Segurança Alimentar, Leonor Neves, disse que o Governo vai distribuir culturas tolerantes à seca e não só: “Kit de poedeiras, com rações de alimentos e medicamentos, para que as famílias tenham alguma fonte de proteína e possam alimentar os mais carenciados”. (DW)

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