Rose Palhares: “Arte é o que somos e isso é individual”

Rose Palhares (Foto: D.R.)

A detentora da marca ‘Rose Palhares’, formou-se no Brasil e revela que simplesmente sonhou em ser designer de moda. Hoje o reconhecimento, também, vem de além-fronteiras.

revista de moda internacional, Vogue Itália, considera Rose Elena Palhares um dos nomes emergentes mais reconhecidos da indústria da moda. A estilista angolana revela-nos que a ficha ainda não lhe caiu, face aos elogios recebidos pela publicação italiana. Não consegue imaginar-se noutro ofício a não ser de designer de moda, como tal prefere ser a sua própria fonte de inspiração, sem interessar pelo que outros estilistas estão a fazer.

Sempre afirmou que seu sonho de ser designer começou ainda na infância, e que não se vê a fazer outra coisa porque o que faz vem do coração. Recentemente, a revista de moda, ‘Vogue Itália’, afirmou que “está entre os nomes emergentes mais reconhecidos da indústria da moda” em Angola. Com este reconhecimento, sente que o seu sonho de infância está a gerar os frutos, que certamente, almejou?

Realmente, nenhum esforço é em vão. Quando fui convidada a dar uma entrevista para uma revista de língua inglesa, nunca imaginei que fosse para a Vogue Itália. A vida é feita de surpresas para aqueles que plantam os seus frutos com trabalho árduo e que crêem neles. Nasci artista, agradeço sempre a Deus este dom e hoje vejo que afinal quem segue o seu próprio coração está mais perto de atingir os seus sonhos… muito mais perto que imagina.

É o tipo de reconhecimento internacional que estava a espera?

O reconhecimento internacional é um plus na minha carreira. Simplesmente sonhei em ser designer, em ter a possibilidade de criar e mostrar ao mundo os meus sonhos. Não estava à espera, a ficha ainda nem caiu!

Para si, existe algo que torna este reconhecimento mais especial do que o que recebe em Angola?

É diferente. A Vogue Itália fala de moda há anos. Em Angola, a moda ainda está a dar os primeiros passos. O reconhecimento que recebo em Angola é sentido de forma diária: as pessoas abordam- me na rua ou nos lugares para onde vou, as minhas clientes…. Angola conhece a estilista e o trabalho dela, a Vogue conhece no fundo o que interessa…apenas o meu trabalho!

Geralmente, afirma, em entrevistas, que não segue tendências e não se interessa pelo que outros estilistas estão a fazer. Até que ponto, este seu posicionamento é salutar para a concepção de suas colecções?

Eu inspiro me facilmente, qualquer lugar onde estou, posso tirar dali algo que irei aplicar numa peça. Então, para mim, acompanhar o trabalho de outros designers é perder um pouco da minha visão, que acaba sendo influenciada pela visão deles. Arte é o que somos e isso é individual.

Não teme que isso possa gerar ondas de rivalidades ou de egocentrismo?

Artista que é artista entendo o que digo. Não posso deixar de ser sincera. Caso acompanhe algum designer não é pelo que ele fez, mas sim pelo que lhe inspirou pois essa também sou eu.

Sendo assim consegue fazer uma avaliação das estilistas da sua geração?

Quem sou eu para as avaliar?! Respeito. E, quando me surpreende, parabenizo. Mas de uma forma geral, o facto de terem a oportunidade de fazerem o que gosto, já fico feliz por eles pois nem todos têm essa oportunidade.

Esteve a par da Joint Venture entre as estilistas Soraya Piedade e Mariangêla Almeida (Fiu Negro)?

O que achou dessa parceria? Sim, estive a par, e pelo que entendi cada uma fez a sua colecção e apenas juntaram se para venderem juntas no mesmo espaço sendo que uma foi o rosto da campanha da outra. Em Novembro, abri a primeira multi marca Nacional, em Luanda, e fiz o mesmo. No meu espaço, temos mais de cinco designers nacionais e vendemos todos no mesmo lugar. O que interessa no final é mostrar a nossa arte, vestir quem gosta do nosso trabalho e unir-nos pois só assim somos mais fortes.

Da sua geração é uma das estilistas que se tem destacado com os prémios. Seria capaz de se associar a uma estilista para a produção de uma colecção?

Se seria capaz?! Claro que sim, aliás, eu associo-me a outros designers de outras maneiras.

Cada vez mais, no mercado nacional, estilistas apostam no pano africano. Acredita que seja uma tendência ou uma forma de valorização da cultura?

Comecei a minha carreira com tecidos africanos para moderniza- los e criar a minha identidade. Virou moda e hoje ainda é tendência. Acredito que não haja necessidade de usar tecido africano para mostrar de onde viemos. África é muito mais que o tecido africano.

Quais são as técnicas que utiliza para se sobressair quando estilistas em ascensão também apostam no pano africano?

Crio, Inovo e Reinvento.

Nos primeiros anos, quando se apresentou como estilista, também tinha a marca Kivesty, por si definida como pronto-a-vestir. O que pode destacar dessa experiência?

Quando criei a Kivesty, surgiu a necessidade da mão-de-obra na qual também tive que correr atrás. Acabei por criar no meu negócio o que não existia.

Hoje, a Rose Palhares rendeu-se exclusivamente ao luxo?

O meu foco é o meu cliente. Eles são a minha prioridade. Tento satisfazer os seus pedidos e acompanhar os seus desejos. Tudo o que me torno enquanto criadora é face às necessidades deles.

Seu vestido de noiva foi o primeiro que co-criou, uma vez que também contou com a colaboração da designer portuguesa, Susana Agostinho. Com a sua experiência, pensa em apostar, também, nos vestidos de noiva?

O primeiro vestido de noiva que criei foi no Brasil ainda estudante. Fazemos muitos vestidos de noivado, mas vestidos de noiva são poucos. Não é o meu foco, até porque ainda estou à espera de uma cliente tão irreverente quanto eu quando o assunto é vestido de noiva.

Quais são os próximos projectos da Rose Palhares?

Estou onde sou chamada. O mundo está de olho em África, e eu estou a fazer a minha parte. 2016 também será uma surpresa para mim. (semanarioeconomico)

 

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