Retrospectiva 2015 na província do Zaire

Avenida da Cidade de M'banza Congo (Foto: Pedro Moniz Vidal)

A chegada, em Outubro último, de duas das seis turbinas a gás para a central do ciclo combinado que está ser instalada no município do Soyo, província do Zaire, constituiu um dos factos que marcaram a actualidade noticiosa em 2015 na região.

O desembarque das referidas turbinas no porto comercial do Soyo foi testemunhado pelo secretário de Estado da Energia, Joaquim Ventura, e o governador do Zaire, José Joanes André.

Na ocasião, Joaquim Ventura assegurou que as restantes quatro turbinas e outros meios afins chegariam este ano, de acordo o previsto no cronograma de trabalho e no contrato rubricado entre o Ministério da Energia e Águas e as empreiteiras.

O projecto do ciclo combinado do Soyo deverá gerar, numa primeira fase, 750 megawatts, suficientes para fornecer energia eléctrica à província e a algumas regiões do país, incluindo Luanda.

Na sua fase conclusiva, prevista para 2017, pelo menos um milhão de consumidores das províncias do Zaire, Bengo, Luanda, Uíge, Malanje, Cuanza Norte e Cuanza Sul deverão beneficiar da energia gerada pelo ciclo combinado do Soyo, cujo projecto deverá ser interligado com o sistema nacional.

A actualidade económica de 2015 na província do Zaire foi marcada igualmente pelo lançamento, em Maio último, da primeira pedra para a construção da ponte- cais de apoio à pesca artesanal na costa marítima do município do Nzeto, pela ministra de tutela, Victória de Barros Neto.

A infra-estrutura, de material rústico, terá 150 metros de cumprimento, uma passadeira com oito metros de largura e uma área de trabalho de 16/22 metros.

Comportará ainda um rebaixamento na área frontal de um metro e 20 centímetros para possibilitar a atracagem das pequenas e médias embarcações de pesca, facilitando-se, deste modo, o exercício da actividade com conforto e comodidade.

Ainda nesta vertente, o destaque recaiu também na inauguração da fábrica de engarrafamento de água mineral, denominada “Mpampam”, em Outubro, na localidade de Kikuilo, comuna de Sumba, município do Soyo, pelo ministro da Economia, Abraão Gourgel.

A unidade fabril privada, orçada em 600 milhões de kwanzas, tem a capacidade de processar 850 mil garrafas de um litro e meio e um milhão de garrafas de meio litro por mês, tendo proporcionado 30 postos de trabalho a jovens locais.

Reconstrução

O anúncio feito em Setembro de 2015 sobre a conclusão no mês a seguir das obras de construção de 400 casas sociais na nova urbanização de Kinganga Mavacala, periferia da sede municipal do Soyo, também mereceu destaque na área de reconstrução nacional.

Em declarações à Angop, no final de uma visita efectuada por uma delegação da Fundação Eduardo dos Santos (FESA) ao local, a fiscal da obra, Creusa Monteiro, anunciou que os trabalhos estavam praticamente concluídos.

Explicou que além das residências, o projecto, financiado pela empresa Angola-LNG, contempla uma escola geral com biblioteca, parques infantis, complexo hospitalar, pavilhão multiuso e um campo de futebol.

Política

A realização da Conferência Internacional sobre a Cultura de Paz, em Setembro do ano passado, na cidade do Soyo, província do Zaire, numa promoção da Fundação Eduardo dos Santos(FESA) foi também destaque na vertente política.

O evento, que durou dois dias, foi aberto pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, abordou, entre outros temas, a cultura da paz através da educação, cidadania e democracia e o contributo de Angola na prevenção e resolução de conflitos.

Em debate estiveram, também, temas relativos ao papel da comunicação social na promoção de uma cultura de paz, a cultura de paz na história e práticas culturais, educação, cultura, arte e indústria de entretenimento na construção da paz, bem como a cultura da paz na perspectiva dos direitos humanos.

Os referidos temas foram animados por prelectores nacionais e estrangeiros.

Cultura

No plano cultural, o estudo do material arqueológico descoberto em Mbanza Congo, província do Zaire, durante as escavações realizadas em 2013 e 2014, no âmbito do projecto de inscrição desta cidade na lista do património mundial da UNESCO foi também destaque em 2015.

Especialistas nacionais e estrangeiros trabalharam durante oito dias no passado mês de Novembro em Mbanza Congo, onde procederam ao estudo de cerâmicas antigas, pérolas, metais e outro material arqueológico, com a finalidade de se aferir a cronologia do sítio objecto de investigação.

Em declarações à Angop, a directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Maria da Piedade, que chefiou a equipa de especialistas, definiu como principal objectivo deste estudo o apuramento da composição química e tipologia do material, sobretudo das pérolas e cerâmicas, com vista a definir a sua data de fabricação e de introdução na região.

Considerou fundamentais os dados obtidos nesta pesquisa, que poderão ser incluídos no dossier final de candidatura a ser entregue ao Comité do Património Mundial da UNESCO, com sede em Paris (França), ainda este mês.

O projecto de inscrição desta capital do antigo Reino do Congo foi lançado em Setembro de 2007 nesta cidade pelo Ministério da Cultura, com a realização de uma mesa redonda internacional denominada “ Mbanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar”. (ANGOP)

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