RENAMO exige demissão do ministro do Interior de Moçambique

Ivone Soares, líder parlamentar da RENAMO (RENAMO)

A RENAMO atribui à FRELIMO a responsabilidade pelos assassinatos e perseguição dos seus membros e exige demissão do ministro do Interior. FRELIMO considera acusações “infundadas” e “precipitadas”.

Ivone Soares, líder parlamentar da RENAMO, deu uma conferência de imprensa na cidade de Quelimane e atribui à FRELIMO a autoria de todos os incidentes, acusando o partido no poder de tentativas repetidas de assassínio dos dirigentes da maior força de oposição. Na manhã desta quinta-feira (21.01), um dia depois do secretário-geral da RENAMO, Manuel Bissopo ter sido baleado por desconhecidos, Ivone Soares disse que o pais está numa situação crítica devido à onda de assassinato dos membros da RENAMO, e civis que se opõem à FRELIMO. “O governo deve parar incondicionalmente com esses atentados contra a vida de políticos, académicos, jornalistas e empresários”, afirmou.

O secretário-geral da RENAMO e deputado, Manuel Bissopo, foi atingido na cidade da Beira na quarta-feira (20.01) a tiro quando acabava de realizar uma conferência de imprensa, onde denunciou alegados raptos e assassínios de membros do seu partido. Ficou com ferimentos graves e o seu segurança acabou por morrer no local.

Segundo Ivone Soares, depois da eleição do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, os crimes caracterizados por raptos, assassinatos e perseguição do líder da RENAMO e seus membros continuaram em alta. Desta forma, enfatizou que se “deve parar imediatamente com os desmandos que o Ministério do Interior está a praticar neste país. Se esse Ministro do Interior julga que é o Rambo da situação, portanto que o presidente dele mande cessar funções imediatamente. Porque em pouco tempo já fez com que neste país entrássemos de novo numa situação de incerteza em relação ao futuro. Não queremos um ministro sanguessuga que vive à custa do sangue de inocentes”.

Ivone Soares acrescentou ainda que nos últimos anos, a Governação da FRELIMO, está a prejudicar demasiadamente a população da zona centro do pais e também nas províncias da região norte e sul por onde a RENAMO tem obtido vitória nas eleições.

A deputada da Assembleia da República pela bancada da RENAMO, pelo círculo eleitoral da Zambézia, diz que as condições de vida que a população dessas províncias enfrenta é má em comparação com a situação vivida pelas pessoas nas províncias onde a FRELIMO tem aceitação. Destaca que o seu partido está devidamente preparado para continuar a defender a democracia no país: “a população quando vai exercer o seu direito de voto, a esperança que tem, é de melhorar a sua vida. O que temos estado a assistir neste nosso país, nesta nossa riquíssima província de Zambézia é vergonhoso. Se a FRELIMO não sabe governar, que saia. Neste país ainda temos um longa estrada para percorrer, mas não vamos desistir. Cada um de vós tem de se sentir um verdadeiro combatente pela democracia efectiva”, rematou.

Ministro do Interior reage

Entretanto, para o ministro moçambicano do Interior Jaime Basílio, que terminou esta quinta-feira (21.01) a sua visita na Zambézia, a RENAMO não constitui ameaça à segurança do país. Para o governante, os relatos dos cercos às sedes e delegações da RENAMO apenas constituem acções normais da polícia para garantir segurança dos cidadãos: “o nosso objectivo, a nossa insistência, é remover todas as ameaças à segurança da população. O país está estável. Todas as instituições estão a funcionar”, garantiu.

FRELIMO lamenta o baleamento de Manuel Bissopo

Também esta quinta-feira (21.01), a FRELIMO lamentou o baleamento do secretário-geral da RENAMO. Em declarações à LUSA, Damião José, o porta-voz do partido no poder, condenou este tipo de acções: “É mais uma acção criminosa que lamentamos profundamente e condenamos naturalmente este tipo de acções que põe em causa a integridade física dos cidadãos. Esperamos que Manuel Bissopo melhore rapidamente e regresse ao convívio da sua família e ao seu partido, para dar o seu contributo no trabalho político da oposição”.

Damião José reagiu ainda às acusações de Ivone Soares dizendo que se trata de acusações “infundadas e precipitadas”, na medida em que o facto de Bissopo exercer funções na RENAMO e no parlamento como deputado não permite concluir que o crime de que foi alvo tenha necessariamente motivações políticas.

A FRELIMO e a RENAMO têm vindo a acusar-se mutuamente de rapto e assassínio dos seus dirigentes, enquanto Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses. O dirigente da RENAMO Afonso Dhlakama, não é visto em público desde nove de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda.

Quanto ao estado de saúde de Manuel Bissopo, António Muchanga, porta-voz da RENAMO, disse, em declarações à LUSA, que é estacionário e recebe cuidados médicos numa clínica na Beira. A sua transferência para África do Sul está dependente de uma nova avaliação do seu quadro de saúde. (DW)

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