Rajoy e líder centrista buscarão fórmulas de governabilidade em Espanha

(AFP)

O chefe do governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, e o líder do partido de centro Ciudadanos, Albert Rivera, combinaram iniciar contactos e explorar fórmulas que facilitem a governabilidade da Espanha.

Ambos mantiveram uma “rápida conversa telefónica”, na qual acertaram que suas respectivas equipes “iniciem conversações para analisar a situação política”, informou o Ciudadanos em um comunicado.

“Além disso, Rivera e Rajoy decidiram explorar fórmulas que permitam que a legislatura comece a andar e torne possível a governação da Espanha”, acrescentou a fonte.

Rivera insistiu na necessidade de se sentar para conversar e discernir os pontos de concordância e os de discórdia.

O Partido Popular (PP), de Rajoy, que foi o mais votado nas eleições gerais de 20 de Dezembro, embora com apenas 28,7% dos votos (123 deputados), insuficientes para conseguir a tomada de posse do chefe de governo em fim de mandato, Mariano Rajoy, insiste em buscar uma grande aliança com o Ciudadanos (40 deputados) e o Partido Socialista (PSOE, 90 deputados), que já manifestou sua recusa a apoiá-lo.

O Ciudadanos é alinhado ao PP em temas como a defesa da unidade da Espanha, a luta contra o terrorismo ou a posição na Europa, mas repudia os escândalos de corrupção que afectam o partido no governo e insiste na necessidade de reformas profundas.

A conversa entre os dois líderes ocorre na perspectiva de uma segunda rodada de consultas do rei Felipe VI com os partidos políticos em busca de um candidato para formar o governo, depois que na semana passada Rajoy declinou ser candidato por falta de apoio.

Após conversar com Rajoy, Rivera afirmou que tentará falar com o líder socialista, Pedro Sánchez, para que haja reuniões entre os partidos também para facilitar a governabilidade do país.

Rajoy e Rivera conversavam enquanto o partido de esquerda radical Podemos pressionava o PSOE para chegar a um acordo de governo.

Enquanto pressiona os socialistas para formar um governo, o Podemos demonstra desconfiança sobre as intenções de seus parceiros em potencial, agravando uma incerteza que começa a semear a impaciência nos círculos económicos.

“Não há tempo a perder”, reforçou nesta segunda-feira no jornal El País o líder do partido, Pablo Iglesias, um mês depois das legislativas.

Ele pediu para que o líder do PSOE se mostre “à altura” e aproveite a oportunidade “histórica” de formar um governo de mudança, após a surpreendente decisão do chefe do executivo em fim de mandato, Mariano Rajoy, na sexta-feira, de não se apresentar à posse.

Iglesias conversou na tarde de domingo com Pedro Sánchez, a quem propôs na sexta chefiar um governo do qual seria vice-presidente e no qual seu partido teria ministérios-chave.

A proposta foi percebida como um insulto por muitos socialistas e o partido qualificou a manobra de “chantagem”.

Nesta segunda-feira, alguns socialistas insistiam no fato de que o partido pensa falar não só com o Podemos, mas também com o Ciudadanos.

Pablo Iglesias manteve a pressão nesta segunda-feira, lembrando que os votos dados ao seu partido, somados aos de seus aliados comunistas-verdes, são mais numerosos que os do PSOE: seis milhões contra cinco. (AFP)

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