Previsão de crescimento da economia mundial em 2016: Banco Mundial reduz as expectativas

(© flickr.com/ Ken Teegardin)

O principal “freio” do ano de 2016, segundo especialistas, serão os países emergentes. Ao considerar os crescentes riscos econômicos nos últimos seis meses, analistas destacam a importância de uma política qualificada a ser realizada pelos bancos centrais na esfera monetária, e pelos governos na área fiscal.

O Banco Mundial reduziu as previsões de crescimento da economia mundial em 2016 de 3,3%, previstos em julho, para 2,9%, informou o relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado pela instituição.

O banco, entretanto, destaca que a economia mundial está aumentando o ritmo de crescimento, em comparação com o resultado de 2,4% de 2015. Os países em desenvolvimento crescerão em 4,8%, os EUA em 2,7%, a zona do euro em 1,7% e a China em 6,7%, prevê o banco.

Fraco crescimento dos mercados emergentes

O principal “freio” do crescimento econômico mundial serão os países emergentes, informa o banco. “O fraco crescimento nos grandes mercados emergentes exercerá influência negativa sobre o crescimento global em 2016. No entanto, a atividade econômica deverá sofrer um leve aumento até 2,9%, comparando com o de 2,4% em 2015, a medida que as economias desenvolvidas acelerarem”, explica o relatório.

Ainda em 2015, o crescimento foi menor do que o esperado, em função da queda do preço das matérias primas, do encolhimento do comércio internacional e do fluxo de capitais, bem como da volatilidade financeira, destaca o banco.

“Segundo a previsão, as economias emergentes crescerão 4,8% em 2016, ou seja, menos do que o esperado, após o menor nível de crescimento das mesmas desde a crise, em 4,8% no ano que passou. Também segundo a previsão, o crescimento novamente será reduzido na China, enquanto a Rússia e o Brasil permanecerão em recessão em 2016”, alerta o relatório.

Segundo o vice-presidente e economista chefe do banco, Kaushik Basu, os riscos aumentaram nos últimos seis meses e será necessária uma política qualificada a ser implementada pelos bancos centrais na área monetária e pelos governos na área fiscal.

Brasil continua em recessão, China desacelera

Depois de enfrentar forte recessão em 2015, a economia brasileira continuará a encolher neste ano, informou o Banco Mundial. A instituição espera para este ano uma contração de 2,5%. Para 2015, a entidade projeta recuo de 3,7%.

As estimativas representam uma piora em relação ao relatório anterior, divulgado em junho do ano passado. Na ocasião, o Banco Mundial projetava contração de 1,3% para o Brasil em 2015 e crescimento de 1,1% este ano. Para o banco, somente nos próximos dois anos, a economia brasileira se recuperará, com crescimento estimado de 1,4% em 2017 e de 1,5% em 2018.

A desaceleração da economia Chinesa seguirá seu curso este ano. O PIB da China crescerá 6,7%, contra 6,9% registrados em 2015, prevê o banco. Já a região da Ásia e do Pacífico cresceu 4,6% no ano passado, sem considerar a China na equação. Os riscos para essa região estão relacionados à possibilidade da desaceleração chinesa acontecer mais rápido do que o esperado. O Banco Mundial também previu riscos de volatilidade financeira na região.

Crescimento no mundo

Na América Latina, em geral, há previsão de lenta recuperação, após a recessão de 0,9%, sofrida em 2015, mas o crescimento será nulo. No Oriente Médio o crescimento será de 5,1%, contra 2,5% em 2015, em função da retirada das sanções contra o Irã, que, desse modo, desempenhará um papel estratégico nos mercados globais de energia. Também devem crescer outros exportadores de petróleo, se os valores do produto estabilizarem.

“Na região [Oriente Médio] permanecem os riscos de escalação do conflito e da queda dos preços do petróleo”, alerta o relatório.

O sul da Ásia apresenta boas perspectivas de crescimento e deve apresentar o resultado de 7,3%, contra os 7% de 2015. O relatório ressaltou que, desde o ano passado, a Índia passou a liderar o crescimento econômico global, com estimativas de expansão de 7,3% em 2015, 7,8% este ano e 7,9% em 2017 e 2018.

Já na África, segundo as previsões do banco, o crescimento, excluindo os países do norte africano, será de 4,2%, contra 3,4% registrados em 2015. (SPUTNIK)

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