Presidente iraniano acusa Riade de tentar encobrir execução de clérigo xiita

(EURONEWS)

O Conselho de Segurança da ONU condenou esta noite os ataques de sábado contra uma embaixada e um consulado saudita no Irão.

Num comunicado, o organismo apela as autoridades iranianas a respeitarem as suas obrigações internacionais relativas à proteção de representações diplomáticas.

O Conselho de Segurança não se pronunciou, no entanto, sobre a execução do Sheikh Nimr al-Nimr, na origem do conflito diplomático, mesmo após as advertências dos EUA e da UE a Riade.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, que tinha condenado os ataques, voltou hoje a acusar Riade de se utilizar das ações contra as embaixadas para tentar encobrir a polémica execução de um clérigo xiita.

Na sua conta twitter, o chefe de estado, voltou a lembrar que, “a única forma de resolver disputas entre países é através das negociações e a diplomacia”.

O Irão anunciou ter detido pelo menos 40 pessoas alegadamente envolvidas nos ataques contra a representações diplomáticas sauditas.

O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric, garantiu que Ban Ki Moon, “está a acompanhar de perto a situação e que deverá apelar aos líderes políticos e religiosos para que evitem inflamar a situação com declarações que possam aumentar as tensões entre grupos religiosos na região”.

A Arábia Saudita, que decidiu cortar relações diplomáticas e comerciais com Teerão, voltou hoje a defender-se das críticas à execução do Sheikh dissidente Nimr al-Nimr assim como de outros 46 indivíduos acusados de terrorismo.

“Esta execução não deve levantar tensões sectárias. O senhor Al-Nimr era um cidadão saudita e beneficiou dos mesmos direitos e previlégios que qualquer dos outros réus, também sauditas, frente aos tribunais”, assegurou o embaixador saudita na ONU,Abdallah al-Mouallimi .

A morte do clérigo, detido em 2012 por fomentar protestos contra o regime, inflama a ira da comunidade xiita em países como o Iraque, onde centenas se manifestaram ontem em Bassorá e Najaf.

Do outro lado da “barricada”, vários países sunitas como o Sudão, o Bahrain ou os Emirados Árabes Unidos somaram-se a Riade para cortarem ou reduzirem relações com Teerão. O Kuwait convocou hoje o embaixador iraniano para condenar os ataques de sábado.

O pior episódio de tensão entre sauditas e iranianos das últimas três décadas ameaça ter implicações nos conflitos no Iémen e na Síria, onde Riade e Teerão apoiam campos rivais.

Fontes na ONU esperam que a situação não afete as negociações de paz na Síria, que deverão ser retomadas este mês, quando os sauditas apoiam vários grupos da oposição, ao contrário de Teerão, aliada do regime do presidente Bashar Al-Assad.

A tensão com o Irão representa também uma “tempestade perfeita para o regime saudita”, segundo o analista Bruce Riedel, citado pela revista Foreign Policy, quando se soma a vários problemas internos num país abalado por uma profunda crise económica.

“Os preços baixos do petróleo, as críticas à intervenção no Iémen, as ameaças terroristas e as questões de sucessão” configuram um cenário em que Riade, “tenta intimidar os seus dissidentes internos”, segundo Bruce Riedel. (EURONEWS)

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