Possível existência de valas comuns junto da capital do Burundi

O Presidente Nkurunziza no passado mês de Agosto. (AFP FOTO/LANDRY NSHIMIY)

A Amnistia Internacional revelou hoje ter em mãos imagens satélite de Buringa, zona situada nas imediações de Bujumbura a capital, nas quais dá para ver que, entre Novembro e finais de Dezembro de 2015 certas zonas foram escavadas e recobertas de terra, o que poderia indicar do ponto de vista da ONG de defesa dos Direitos Humanos que existem valas comuns nesta região.

No passado 11 de Dezembro, o ataque de um campo militar naquela zona por homens armados seguida de represálias das forças governamentais causaram oficialmente 87 mortos, mas de acordo as Nações Unidas o número de vítimas poderia ser consideravelmente maior. Vários testemunhos dao conta da escavação de valas comuns no próprio dia do ataque, havendo indicação da existência de 9 valas comuns nos arredores da capital, situadas nomeadamente nos cemitérios de Mpanda, a norte de Bujumbura, e de Kanyosha, a sul da capital, onde dezenas de mortos terão sido amontoados.

Ao dar conta da importância de enviar uma equipa para o terreno para investigar os massacres de 11 de Dezembro, Suzana Gaspar, presidente da Amnistia Internacional Portugal, pede que a Uniao Africana exerça pressões neste sentido.

De acordo com a Amnistia Internacional, as autoridades burundesas têm estado deliberadamente a tentar esconder a dimensão do sucedido. O Burundi que atravessa há largos meses uma crise política, que se transformou em conflito armado tem suscitado muita preocupação. Apesar de uma forte contestação, o presidente burundês Pierre Nkurunziza anunciou em Abril do ano passado a sua intenção de se candidatar a um terceiro mandato, objectivo que alcançou ao sair vitorioso das presidenciais de Julho boicotadas pela oposição. A contestação severamente reprimida transformou-se com o passar dos meses em oposição armada, o Burundi estando agora à beira de um conflito étnico.

Desde o início do conflito, mais de 400 pessoas foram mortas e cerca de 200 mil outras fugiram, encontrando-se entre os exilados membros da oposição, militantes da sociedade civil bem como jornalistas independentes, as pressões, ataques e ameaças tendo sido muitos.

O último exemplo do contexto volátil que se vive actualmente no Burundi deu-se ontem à tarde quando as autoridades prenderam em Bujumbura 17 pessoas apresentadas como “criminosos armados”. Figuraram entre os presos dois jornalistas, o francês Jean-Phillippe Rémy e o fotógrafo britânico Phil Moore, detidos quando estavam a entrevistar membros da oposição no quadro de uma reportagem para o jornal francês Le Monde. Ao cabo de apelos do seu jornal, da Agência France Press e do chefe da diplomacia francesa para a sua libertação imediata, apelos aos quais se seguiram também conversações no terreno, os dois jornalistas acabaram por ser soltos durante esta tarde. Ainda antes da sua libertação, em declarações à RFI, Jérôme Fenoglio, director do jornal “Le Monde” contou o sucedido.

Refira-se ainda que a situação do Burundi deve ser discutida este fim-de-semana no quadro da cimeira da União Africana em Addis Abeba. Em cima da mesa está o envio de tropas de manutenção da paz da União Africana, uma iniciativa que o executivo de Nkurunziza interpreta como uma ingerência, Bujumbura tendo desde já prometido combater essa força.No passado 11 de Dezembro, o ataque de um campo militar naquela zona por homens armados seguida de represálias das forças governamentais causaram oficialmente 87 mortos, mas de acordo as Nações Unidas o número de vítimas poderia ser consideravelmente maior. Vários testemunhos dão conta da escavação de valas comuns no próprio dia do ataque, havendo indicação da existência de 9 valas comuns nos arredores da capital, situadas nomeadamente nos cemitérios de Mpanda, a norte de Bujumbura, e de Kanyosha, a sul da capital, onde dezenas de mortos terão sido amontoados.

Ao dar conta da importância de enviar uma equipa para o terreno para investigar os massacres de 11 de Dezembro, Suzana Gaspar, presidente da Amnistia Internacional Portugal, pede que a União Africana exerça pressões neste sentido.

Ainda de acordo com a Amnistia Internacional, as autoridades burundesas têm estado deliberadamente a tentar esconder a dimensão do sucedido. O Burundi que atravessa há largos meses uma crise política, que se transformou em conflito armado tem suscitado muita preocupação. Apesar de uma forte contestação, o presidente burundês Pierre Nkurunziza anunciou em Abril do ano passado a sua intenção de se candidatar a um terceiro mandato, objectivo que alcançou ao sair vitorioso das presidenciais de Julho boicotadas pela oposição. A contestação severamente reprimida transformou-se com o passar dos meses em oposição armada, o Burundi estando agora à beira de um conflito étnico.

Desde o início do conflito, mais de 400 pessoas foram mortas e cerca de 200 mil outras fugiram, encontrando-se entre os exilados membros da oposição, militantes da sociedade civil bem como jornalistas independentes, as pressões, ataques e ameaças tendo sido muitos.

O último exemplo do contexto volátil que se vive actualmente no Burundi deu-se ontem à tarde quando as autoridades prenderam em Bujumbura 17 pessoas apresentadas como “criminosos armados”. Figuraram entre os presos dois jornalistas, o francês Jean-Phillippe Rémy e o fotógrafo britânico Phil Moore, detidos quando estavam a entrevistar membros da oposição no quadro de uma reportagem para o jornal francês Le Monde. Ao cabo de apelos do seu jornal, da Agência France Press e do chefe da diplomacia francesa para a sua libertação imediata, apelos aos quais se seguiram também conversações no terreno, os dois jornalistas acabaram por ser soltos durante esta tarde. Ainda antes da sua libertação, em declarações à RFI, Jérôme Fenoglio, director do jornal “Le Monde” contou o sucedido.

Refira-se ainda que a situação do Burundi deve ser discutida este fim-de-semana no quadro da cimeira da União Africana em Addis Abeba. Em cima da mesa está o envio de tropas de manutenção da paz , uma iniciativa que o executivo de Nkurunziza interpreta como uma ingerência, Bujumbura tendo desde já prometido combater essa força. (RFI)

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