Pátria recorda os mártires da repressão

(ANGOP)

O sentido histórico do 4 de Janeiro, data consagrada aos mártires da repressão colonial portuguesa em 1961 na vasta região da Baixa de Kassanje, foi destacado ontem pelo soba da regedoria de Zage, na província de Malanje. Cruz Zonda exortou a todos os angolanos para consolidarem a paz e trabalharem para o crescimento económico e social do país.

Em declarações à imprensa, por ocasião do 55.º aniversário do massacre da Baixa de Kassanje, que se assinala hoje, o soba lembrou os “maus momentos do jugo colonial” que se consubstanciaram na destruição e morte de milhares de camponeses na localidade de Teka-dia-Kinda, pelos simples facto de terem contestado o trabalho forçado e o baixo preço do algodão que se praticava na companhia Luso Belga Cotonang, hoje em ruínas.

“Esse protesto abriu o caminho para a luta de libertação nacional contra o jugo colonial e para as conquistas do povo angolano, com realce para a Independência Nacional alcançada a 11 de Novembro de 1975”, afirmou o soba.

Em Malanje, a celebração dos 55 anos do 4 de Janeiro é marcada pela realização de uma palestra e leitura de mensagens da Associação dos Naturais e Amigos da Baixa de Kassanje (ANABACA), incluindo intervenções de sobreviventes do massacre.Políticos, académicos e membros da sociedade civil angolana expressaram regozijo pela celebração da data, salientando que o 4 de Janeiro deve continuar a ser recordado.

Rei Kulaxingi valoriza a data

O Rei da Baixa de Cassanje, Cambamba Kulaxingi, valorizou ontem, em Luanda, o 4 de Janeiro, lembrando que a data representa o marco da luta armada contra o colonialismo português e pela Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1075.

“Esta data não deve ser esquecida porque assinala o massacre de milhares de camponeses da ex-companhia de Algodão de Angola (Cotonang) pela máquina de repressão portuguesa, pelo simples facto dos mesmos (camponeses) terem reivindicado melhores condições de trabalho, abolição do trabalho forçado e isenção de pagamento de impostos”, explicou Cambamba Kulaxingi, que defende que a data volte a ser feriado nacional.

Cambamba Kulaxingi apela para uma maior divulgação da data pelos órgãos de comunicação social, para dar-se a conhecer às novas gerações os propósitos da revolta e sobretudo os meandros da história real de luta desencadeada por patriotas nacionais contra o colonialismo português.

Aos jovens  e membros de organizações políticas que tentam disseminar a desordem  e manchar as instituições democraticamente criadas, incluindo o nome do Presidente da República, pediu mais respeito e ponderação, lembrando que \”o poder em Angola deve ser alcançado através do voto popular e do debate político na Assembleia Nacional\”.

Como forma de dignificar ainda mais a Baixa de Kassanje, o Rei pede ao Executivo para criar na localidade da província de Malanje mais infra-estruturas económicas e sociais, como escolas, postos de saúde, estradas e residências condignas. O Rei da Baixa de Kassanje agradeceu ao Governo da província da Lunda Norte e ao Ministério da Geologia e Minas todo o apoio prestado, que permitiu a realização de muitas actividades que saudaram a efeméride.

Bié elogia coragem

Governo Provincial elogia coragem dos Mártires da Baixa de Kassanje  O governo da província do Bié enalteceu a coragem e a determinação demonstrada pelos Mártires da Repressão Colonial na Baixa de Kassanje (Malanje), galvanizando assim a luta pela liberdade e Independência Nacional.

O reconhecimento vem expresso num comunicado tornado público ontem, na cidade do Cuito, e assinado pelo governador provincial do Bié, Boavida Neto, em saudação ao 4 de Janeiro. Boavida Neto destaca o desempenho dos heróis nacionais pela motivação que tiveram em 1961, tendo incentivado a luta armada de libertação, que culminou com a conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

“O 4 de Janeiro deve ser visto pela população como um marco de reflexão obrigatória, reforçando a unidade nacional e a coesão em torno dos mais nobres ideais da Nação, independentemente das convicções políticas, credo religioso e etnia”, indica o governador, reafirmando a sua total vontade de continuar a trabalhar na edificação de uma sociedade cada vez mais justa, de progresso, paz e democracia.

Boavida Neto convida, por isso, a população biena a participar de forma efectiva nas actividades alusivas ao 4 de Janeiro, manifestando a sua alegria pela conquista da liberdade, democracia e da Paz efectiva e duradoura, que o país alcançou em 2002, com os acordos assinados no Luena (Moxico).

O 4 de Janeiro reveste-se de transcendente importância na história da luta de libertação nacional, uma vez que marcou o início de uma revolta contra a ocupação colonial portuguesa, de cerca de 500 anos, e que ceifou a vida de milhares de patriotas.

A efeméride marca, por outro lado, um acontecimento histórico, quando milhares de camponeses da ex-companhia de Algodão de Angola (Cotonang) foram barbaramente assassinados pelo exército colonial português, por exigirem os seus direitos como trabalhadores, isenção de pagamento de impostos e abolição do trabalho forçado. O acontecimento estendeu-se aos municípios do Quela, Kunda-dia-base e Kiwaba Zonje, na província de Malanje, e Xá-muteba, Kapenda Kamulemba e Cubalo (Lunda Norte), localidades que constituem a região da Baixa de Kassanje. (Jornal de Angola)

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