O homem com uma das missões mais difíceis de 2016

(Picture Alliance)

Italiano Filippo Grandi assume chefia da agência da ONU para refugiados. Mas, em meio à maior crise migratória desde a Segunda Guerra, ele terá que resolver problemas mais básicos antes, como a falta de dinheiro.

A essa altura, é difícil imaginar alguém assumindo um cargo tão complicado: o italiano Filippo Grandi é o novo responsável por 9.300 funcionários em 123 países, na condição de chefe da agência das Nações Unidas para refugiados (Acnur).

O cargo de Grandi prevê garantir a segurança e a sobrevivência de refugiados ao redor do mundo. Os últimos dados do Acnur apontam que há actualmente 60 milhões de pessoas deslocadas de suas casas no planeta.

Seu antecessor, o português António Guterres, previu as possíveis linhas de acção de Grandi. Falando ao Conselho de Segurança da ONU em Dezembro, ele pediu uma espécie de “New Deal” para os países vizinhos da Síria – uma referência ao programa aplicado nos anos 1930 nos Estados Unidos. De acordo com o plano, os Estados que acomodam um número significativo de refugiados receberiam apoio financeiro.

Guterres – cotado para ser o próximo secretário-geral da ONU – também pressionou a Europa a aumentar o apoio aos refugiados, alertando sobre uma crescente xenofobia no continente perante a maior onda migratória desde a Segunda Guerra.

“Ele está assumindo um cargo muito sensível”, afirma Karl Kopp, representante para Europa da ONG alemã Pro Asyl. “Esperamos que ele possa seguir os passos de seu antecessor e que suas prioridades sejam similares às dele.”

0,,18763300_401,00O português ficou no cargo por uma década. A carreira de Grandi, por sua vez, parece uma cronologia dos conflitos e guerras ocorridos nos últimos 20 anos: ele teve cargos no Sudão, Iraque, Afeganistão, Libéria, Ruanda e Burundi, sempre representando a agência da ONU.

Nos últimos dez anos, Grandi, de 58 anos, apoiou a causa dos refugiados palestinianos – ele foi, entre 2010 e 2014, chefe da agência da ONU dedicada à causa (Unrwa). “Nós temos que ir às pessoas, em vez de elas terem que vir até a gente”, afirmou o italiano em Fevereiro de 2014, em visita a um campo de refugiados palestinianos perto de Damasco.

Tecnocrata e filantropo

Escolhido pelo secretário-geral Ban Ki-moon em novembro, Grandi não é apenas um tecnocrata: ele também tem a filantropia como uma das suas prioridades, o que ficou evidente durante uma visita recente à Universidade de Milão, onde ele estudou História Moderna e Filosofia.

Campo de refugiados sírios na Jordânia (DPA)
Campo de refugiados sírios na Jordânia (DPA)

Contando aos estudantes sobre o início de sua carreira, o italiano relembrou quando foi responsável pela questão dos refugiados cambojanos na Tailândia. Em seus braços, uma menina morreu vítima de malária. Isso, contou ele, lhe ensinou uma importante lição.

“Diante do sofrimento, só pode haver uma resposta: pura solidariedade”, afirmou aos estudantes.

Solidariedade é também algo que Grandi terá que abordar com os doadores internacionais. Afinal, uma de suas principais funções à frente do Acnur será obter doações. A agência conta com um fundo de emergência da ONU, mas é amplamente dependente de voluntários e contribuições de Estados, ONGs, empresas e cidadãos comuns.

O Acnur enfrenta há anos uma crise financeira, mesmo problema de outras agências da ONU, como o Programa Mundial de Alimentação (PMA), que teve que reduzir a quantidade de comida distribuída para refugiados sírios na Jordânia. Em 2015, o Acnur teve um orçamento de 7 biliões de dólares à sua disposição, mas precisa de mais dinheiro.

“De um lado, estamos enfrentando uma crise dramática de refugiados. Do outro, há uma falta de parceiros responsáveis, que estejam preparados para se comprometer com a protecção de refugiados”, afirma Kopp. (DW)

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