O cuidado com dinheiro alheio

AGOSTINHO CHITATA Director do Jornal de Economia (Foto: D.R.)

O pagamento das despesas por via dos cartões multicaixa veio efectivamente facilitar, ou seja, revolucionar a situação dos consumidores. Antes da existência destes terminais, era necessário recorrer aos balcões bancários até para uma simples operação cambial.

Os bancos ficavam quase sempre lotados e os seus funcionários não tinham mãos a medir para satisfação da demanda. Hoje, a realidade é diferente. A procura pelos balcões baixou o gráfico, principalmente nos serviços em que pelos ATM se possa processar sem grandes embaraços.

O uso destes cartões de créditos generalizou-se de tal ordem que os transtornos se fazem sentir quando se solicita um serviço, por exemplo, de restauração ou pagamento de combustível nas bombas existentes e se depara com a informação escrita: “Multicaixa fora de uso”.

Apraz, por exemplo, visitar alguns locais “informais” como o mercado de cacussos de Catete ( a designação é nossa) e o da Praia Amélia (Samba/Luanda) e entre as vendedoras de “comes e bebes” que fazem a delícia de muitos aos fins-de-semana, e não só, surgir algumas delas a oferecer opção de pagamento das contas por via deste moderno sistema.

Quantas vezes nos vimos empecilhados em restaurantes e serviços similares com contas que ultrapassavam o dinheiro em bolso e temos de sair e recorrer a um multicaixa próximo porque a “casa” não tinha outra forma mais fácil e rápida de pagamento. O grande espanto até surge em locais de muita concentração de clientes e que cada um é obrigado a levar dinheiro em mão para grandes contas.

Há estabelecimentos que até hoje preferem, por razões que só estes sabem, que os pagamentos sejam em cash e para aliviar a vida de quem os procura, sugerem a quem se responsabiliza por tais serviços a instalação de um multicaixa à entrada. Então, tira-se o dinheiro e depois se vai ao caixa para pagar. Bom procedimento ou não, a verdade é que realidade do género ainda se fazem sentir.

Pelo sim, pelo não, o sistema de pagamento automático veio para servir sob o ponto de vista prático os consumidores. Aliás, em Angola existem mais de 4 milhões de cartões “multicaixa” emitidos pelos bancos comerciais, conforme números orientadores. Esta rede é gerida pela Empresa Interbancária de Serviços S.A (EMIS). É regulada pela Lei do Sistema de Pagamentos pelo Aviso do BNA 9/2011 sobre a regulamentação dos cartões de pagamento bancário.

O sucesso do serviço é evidente. A satisfação é notória. Agora constrange a situação vivida em tempos o que leva a questionar sobre a segurança destes serviços. Obviamente, o que vamos expor aqui não vai no sentido de descredibilizar os seus responsáveis, mas fica difícil compreender que se vai a um multicaixa, isto em Luanda, num dos bancos comerciais, e numa operação de se retirar três mil kwanzas, saia uma nota de dois mil e outra de cinquenta kwanzas.

O pior é ter no recibo confirmado os três mil. Agora pergunta-se, a quem incutir responsabilidade? Como provar o caso? O mais caricato é se dirigir ao balcão do banco em causa e o seu técnico reconhecer que a situação não é singular. É evidente que a restituição dos 950 kwanzas não foram feitos.

E como se não bastasse, o lesado ainda ter sido convidado a abrir uma conta neste banco. Com que ânimo? Não pela devolução do montante perdido, mas é importante que se tenha mais cuidado com o dinheiro alheio.

Claro que se tem consciência que os ATM são um meio imprescindível e que vamos precisar de forma constante e regular. Mas é necessário que os utentes destas “maquinetas” confiem-nas, assim como no trabalho dos seus operadores. Que estes estejam mais atentos, sob pena de qualquer erro que prejudique os usuários dos multicaixas vir a manchar a sua instituição empregadora.

Sabe-se, aliás, que além de levantamento de numerário, os multicaixas oferecem vários outros serviços: consulta de saldo e movimentos da conta bancária, compra de recargas de telemóvel, pagamento de serviços como subscrições de acesso à internet, de pacotes de TV e transferências bancárias. Logo, é melhor não errar nos números porque perder dinheiro dói. Risos. (jornaldeeconomia)

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