Nova refinaria nas condições actuais é economicamente insustentável

Refinaria de Luanda (Foto: Antonio Escrivão)

A construção de uma nova refinaria em Angola nas condições actuais de mercado não seria rentável para o país, tendo em conta o custo elevado da sua construção, exploração e manutenção, considera o economista Lago de Carvalho.

Num artigo de opinião, publicado na edição do Jornal Expansão de 23 de Outubro de 2015, o especialista argumenta que a sobrevivência e sustentação desta unidade de processamento de crude estariam complemente dependentes de subsídios do Estado, como acontece com a Refinaria de Luanda.

O economista entende que os investimentos que se fazem no quadro da diversificação da economia devem ser rentáveis, isto é, devem pagar os seus custos de operação e permitir a amortização do capital investido, com juros.

Tendo em conta alguns indicadores, Lago de Carvalho calcula que a construção de uma refinaria em Angola custa, no mínimo, três vezes mais do que na Europa ou nos Estados Unidos e operar e fazer a sua manutenção no país terá inevitavelmente um custo-país ainda superior.

Segundo o economista, num mercado tecnicamente evoluído, uma refinaria trabalha com um mínimo de pessoal operativo, todo o trabalho de manutenção é feito por empresas especializadas e necessita de um quadro fixo de 50 pessoas.

Para a realidade angolana, de acordo com o especialista, a refinaria teria algumas centenas de trabalhadores porque precisaria em permanência de quadros técnicos, muitos dos quais expatriados.

Como alternativas, Lago de Carvalho apontou a venda do petróleo a uma empresa em troca de produtos refinados, bem como o pagamento a uma refinaria no exterior para refinar o petróleo angolano, repatriando os produtos que o país precisa, e vender no mercado internacional o excedente.

Por outro lado, considerou também a hipótese de compra de uma refinaria no exterior, argumentando que muitas das refinarias europeias são detidas por empresas de diversos países. Referiu, a título de exemplo, que algumas refinarias na Europa, com petroquímica e capacidade superior à proposta para Angola, foram transaccionadas por valores na casa dos dois mil milhões de dólares.

“Não me parece sensato que deixemos para o futuro o peso de uma dívida que sangrará ainda mais a nossa economia e hipotecará a geração dos nossos filhos e netos”, concluiu. (ANGOP)

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