Namibe: Descobertas estações arqueológicas líticas

Pedra Paleolítica (Foto: Clemente Ndala)

Três estações arqueológicas de indústria lítica que comportam instrumentos de pedra da idade pré-histórica foram descobertas recentemente na província do Namibe, no quadro das acções de investigação e localização de bens e sítios com valores histórico-cultural.

Namibe: Descobertas estações arqueológicas líticas

Das três estações, duas foram descobertas na localidade do Kuroca, município do Tombwa, e a outra numa das margens do rio Giraul, nas imediações da cidade sede da província.

O facto foi anunciado hoje, quarta-feira, à Angop pelo chefe do departamento de património cultural da direcção provincial do Namibe da cultura, Benjamim Fernandes.

De acordo com o responsável, as estações são bastante ricas, com variadíssimos tipos de instrumentos líticos (pedras) e localmente aguarda-se pela vinda de uma equipa do Instituto Nacional de Património Cultural para fazer a devida avaliação e posterior classificação das referidas estações arqueológicas.

Segundo o perito que encabeçou a comissão de pesquisa, a comissão irá cingir-se na classificação dessa indústria lítica, em função do período histórico a que cada uma pertence.

“O importante é sabermos em que estação pertence cada uma delas, se é da idade do Paleolítico, Mesolítico ou Neolítico. Para o caso do Namibe vamos procurar identificar uma estação da idade antiga da pedra, da idade média ou da idade da pedra recente”, disse.

Benjamim Fernandes salientou que após essa classificação, o sector levará a cabo acções de escavação ou recolha do próprio material para ser colocado em espaço adequado como museu ou num lugar apropriado, para posterior estudo arqueológico mais detalhado de cada uma das peças.

Revelou que a descoberta dessas estações (industria lítica), representam a cultural material que comprovam a existência no Namibe de seres humanos há milhares de anos.

Na sua opinião, o material descoberto dá um indicativo de que a região terá tido um grande papel no processo de evolução e de desenvolvimento das sociedades desde os tempos pré-histórico.

Benjamim Fernandes diz que poucas pessoas (nova geração) tiveram ou têm a oportunidade de ver na prática aquilo que os homens utilizaram antes do ferro.

“ Por isso, do ponto de vista da educação e do ensino, é um grande contributo para os estudantes vincularem os seus conhecimentos teóricos a prática”, sublinhou.

“A exposição deste material arqueológico vai permitir as actuais e futuras gerações conhecerem o processo de evolução do próprio homem, não só do ponto de vista espiritual como do ponto de vista material”, rematou.

Referiu que nessas estações existem peças (pedras) que foram utilizadas como machados, raspadores, facas, lâminas, entre outros instrumentos.

O responsável da Cultura deu ainda a conhecer que essa pesquisa é um processo contínuo que teve início há oito anos.

“A província do Namibe tem grande potencial do ponto de vista arqueológico e que nos próximos tempos poderemos revelar novas e mais ricas descobertas”, assegurou.

O pesquisador sublinhou que ao longo do estudo utilizam meios como GPS, para localização geográfica, registo fotográfico, bússolas, instrumentos específicos para o estudo da indústria lítica.

A província do Namibe, de acordo com a fonte, é uma das regiões de Angola que albergou o que é designado “Fundo Antigo de Povoamento Negro Africano”.

Benjamim Fernandes informou que o Namibe possui vestígios arqueológicos que identificam que esta região foi habitada há milhares de anos, tendo apontado as estações de artes rupestres, como o primeiro vestígio.

Argumentou que alguns pontos geográficos onde terão habitado os povos pré-históricos, quer sejam os Kuissis como os Kwebes são locais de referência para se levar a cabo pesquisas.

Defendeu a necessidade de haver no Namibe laboratórios específicos para os estudos ligados a arqueologia, sobretudo ligada a indústria lítica.

Apontou, por outro lado, que o risco de desaparecimento dessas estações é muito alto, sobretudo as estações do Kuroca que estão localizadas junto a população.

Em relação a estação do Giraúl, afirmou que, apesar de estar isolada, existe também risco, porque se encontra num ponto de passagem que dá acesso a uma das praias frequentadas pela população, daí a necessidade de se acelerar a avaliação e classificação das referidas pedras, para a sua conservação. (ANGOP)

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