Marcelo ao ataque contra “passado de vazio” de Nóvoa

(TVI24)

Ex-reitor procura demonstrar as “contradições” do adversário

O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa acusou esta quinta-feira Sampaio da Nóvoa de ter um passado de “vazio e de ausência” de posições políticas, num frente-a-frente em que o ex-reitor procurou demonstrar as “contradições” do adversário.

“A sua história é de vazio, é de ausência. Há uma diferença de história política. Os portugueses sabem onde eu estive no 25 de novembro, na altura da adesão ao euro. O professor apareceu agora virgem há três ou quatro anos, a tomar posição política”, acusou Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve sempre “ao ataque” no frente-a-frente com Sampaio da Nóvoa, na SIC, moderado pela jornalista Clara de Sousa, que teve de intervir várias vezes para serenar os ânimos.

Sampaio da Nóvoa admitiu alguma surpresa pelo tom de Marcelo Rebelo de Sousa e perante algumas das suas afirmações, procurando demonstrar que o agora candidato tem posições contraditórias ao longo do seu percurso político e enquanto comentador televisivo: “O que é impressionante é que sobre todas as matérias temos 20 citações a dizer uma coisa, e 20 citações a dizer o contrário”.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “para um candidato presidencial é uma desvantagem não ter estado num único lugar de decisão política”, uma afirmação que Sampaio da Nóvoa considerou “inaceitável” por, disse, representar um “fechamento de certos grupos que resistem à possibilidade de renovação” na política.

“São afirmações inaceitáveis num tempo em que os portugueses precisam de ter renovação na política, de pessoas com vida cívica (…) Há um fechamento de certos grupos resistindo a esta renovação e a esta possibilidade de sangue novo”, disse Sampaio da Nóvoa, admitindo que “não estava à espera” e acusando Marcelo de usar um “argumentário pobre”.

“Ir de soldado a general é pobre?”, questionou Marcelo Rebelo de Sousa, que também se afastou de Sampaio da Nóvoa quanto à forma de exercer os poderes presidenciais. Para Marcelo, o Presidente da República “será aquilo que for adequado a cada momento”, não deve ser “contrapoder”, devendo “coadjuvar os outros órgãos de soberania”.

O ex-reitor da Universidade de Lisboa defendeu que o Presidente da República deve ser “mais do que um árbitro” e “tem de se bater por causas”, e lembrou que três ex-chefes de Estado – Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares – lhe manifestaram o apoio à sua candidatura.

“Outra diferença é que ele [Sampaio da Nóvoa] tem de trazer na lapela ex-presidentes da República. Eu não preciso, não tenho uma comissão de honra infindável”, afirmou o ex-presidente do PSD, que aludiu também aos “gastos” na campanha eleitoral.

“Não ando, como eu vi que veio aqui desembarcar com uma carrinha de seis assessores. Não tenho a sua estrutura e os seus gastos”, apontou, perante Sampaio da Nóvoa, que considerou estas afirmações “antidemocráticas” porque, disse, “a democracia tem custos”.

Outro momento mais aceso do debate surgiu quando Sampaio da Nóvoa disse que todos sabiam que a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa [de avançar com uma candidatura presidencial] estava tomada. O ex-comentador político não gostou, rejeitando “processos de intenção feitos com o tom mais beatífico do mundo”.

O debate tinha começado com Sampaio da Nóvoa a afirmar-se como o candidato do “tempo novo”, contra a austeridade, e a caracterizar Marcelo Rebelo de Sousa como alguém que “apelou ao voto em Pedro Passos Coelho” e foi favorável a políticas de austeridade no passado.

No final, Sampaio da Nóvoa insistiu nessa ideia, responsabilizando Marcelo Rebelo de Sousa – que era secretário de Estado em 1982 – por um decreto que visava “extinguir o Serviço Nacional de Saúde” e que foi declarado inconstitucional.

Rebelo de Sousa recusou qualquer responsabilidade por esse decreto e esclareceu que o objetivo do diploma não era extinguir o SNS: “o que se pretendia era saber se o sistema devia ser gratuito ou tendencialmente gratuito”.

“Não podemos andar a jogar com as palavras”, disse Sampaio da Nóvoa.

Rejeitando que o apoio expresso do PSD e do CDS-PP à sua candidatura seja “tóxico”, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o seu adversário quer ser o presidente de “uma parte do país”, e defendeu que o Presidente tem de estar acima dessas divisões.

Os dois candidatos concordaram que não é necessária uma revisão constitucional e que os poderes presidenciais não devem sofrer alterações. (TVI24)

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