Manuel Augusto defende maior acção da comunidade internacional na resolução dos conflitos

(DR)

O Secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, afirmou nesta terça-feira, em Nova Iorque, que a resposta da comunidade internacional aos problemas que afectam o Médio Oriente e o Norte de África não tem atacado as “causas profundas” dos conflitos, que é diminuir as diferenças entre os grupos étnicos e religiosos.

Discursando no Debate Aberto Ministerial do Conselho de Segurança sobre a situação no Médio Oriente, o dirigente angolano afiançou que o colapso da autoridade do Estado agravou ainda mais as divisões sectárias, com as pessoas, em tempo de insegurança e incerteza, a inclinarem-se para as suas filiações étnicas e religiosas.

De acordo com Manuel Augusto, actualmente, a questão mais premente no Médio Oriente é derrotar os grupos extremistas radicais, a fim de facilitar a resolução pacífica dos conflitos prevalecentes e evitar o cenário de consolidação de um Estado Islâmico, sendo, para tal, imperioso intensificar a cooperação política, diplomática, militar e económica entre os países.

Neste contexto, considerou a paz entre Israel e Palestina como elemento importante para a ordem e a estabilidade no Médio Oriente e uma ferramenta eficaz para o fim do recrutamento de extremistas radicais na região.

O Secretário de Estado lamentou a intensificação das políticas israelitas de alargamento dos assentamentos e a opressão e governação ilegal de milhões de palestinos, assim como apelou à Palestina a renunciar a violência e reconhecer Israel, com vista a viabilizar a solução de dois Estados coabitando pacificamente.

“Reiteramos o relevante papel que o Conselho de Segurança deve desempenhar nesta questão, através da adopção de uma resolução, com parâmetros equilibrados e justos, para uma solução política para o conflito israelo-palestino”, exortou.

Por outro lado, disse que com a chamada Primavera Árabe, em 2011, o mundo testemunhou os eventos ocorridos em alguns países do Norte de África e no Médio Oriente e as perspectivas de uma nova era de paz, democracia e desenvolvimento económico, cujo resultado, infelizmente, foi o colapso da autoridade do Estado, novas formas de autoritarismo, extremiso e o desmembramento das fronteiras nacionais.

Destacou os casos do Iraque, Líbia, Síria e Iémen, que, segundo o responsável, apresentam estruturas de Estado desintegradas, territórios divididos entre as áreas controladas por governos legítimos e grupos armados não-estatais e terroristas do Estado Islâmico, Al-Qaeda, Al-Nusra, entre outros.

Na sua óptica, a solução para esses problemas deverá passar por um impulso decisivo e sincero das potências regionais e mundiais no sentido de esmagar o terrorismo e procurar soluções políticas para os conflitos.

Durante a reunião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou a continuação da colonização israelita na Cisjordânia ocupada e exigiu o fim da construção de assentamentos, considerando-os iniciativas provocatórias susceptíveis de aumentar a tensão e minar qualquer perspectiva de uma solução política para o conflito.

A maioria dos oradores também condenou a política de assentimentos levada a cabo pelas autoridades israelitas, bem como a falta de vontade política para solucionar o conflito por via negocial. Os Estados Unidos da América, principal aliado de Israel, tomou uma posição paternalista em relação às acções israelitas, como vem sendo prática.

O Debate Aberto foi presidido pelo Ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, na qualidade de presidente do Conselho de Segurança para o mês de Janeiro, e contou com as presenças do Ministro das Relações Exteriores do Senegal, Mankeur Ndiaye, e da vice-ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Olena Zerkal. Os demais países membros do Conselho de Segurança e das Nações Unidas foram representados pelos seus embaixadores.

Este foi o segundo e último Debate Aberto do mês de Janeiro. O primeiro ocorreu no dia 19, e foi sobre a protecção de civis.

Angola vai assumir a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas em Março. (ANGOP)

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