Malanje: Vigília proibida três activistas detidos

Massacre da Baixa de Cassanje, Malanje 4 Janeiro 1961 (RFI)

A União dos Activistas das 18 Províncias de Angola, convocou para esta segunda-feira uma “Vigília” em Malanje para exigir a reposição do feriado destinado a assinalar o massacre da Baixa de Cassanje, perpetrado pelas tropas portuguesas a 4 de Janeiro de 1961, que causou milhares de mortos e destruiu 17 aldeias.

Até 2011 o dia 4 de Janeiro, Dia dos Mártires da Repressão Colonial era feriado em homenagem ao massacre de 1961 que ficou conhecido como da Baixa de Cassanje, na província de Malanje, no nordeste de Angola, no qual milhares de camponeses foram mortos pelas tropas coloniais portuguesas – que inclusive os bombardearam com napalm – quando faziam greve para reclamar o fim do trabalho forçado e o aumento do preço do algodão vendido à Companhia luso-belga Cotonang.

Desde 2011 a população tem vindo a pedir a reposição do feriado e clama pela construção de um Memorial em homenagem às vítimas do massacre da Baixa de Cassanje.

Este acontecimento despertou a consciência dos nacionalistas angolanos e foi o germe do ataque à cadeia de Luanda a 4 de Fevereiro de 1961, que prenuncia o início da luta armada de libertação de Angola, com o primeiro ataque de envergadura contra o regime português perpetrado nos Dembos, província do Kuanza Norte a 15 de Março de 1961 pela União dos Povos de Angola (UPA) que despoletou a guerra de Angola, após Salazar ter proclamado “para Angola rapidamente e em força”.

Arismende Mendonça, um dos organizadores da “Vigília” convocada para esta segunda-feira (4/01) para exigir a reposição do feriado e que foi preso a 4 de Janeiro e 14 de Março de 2015 devido à mesma reivindicação, dá conta da prisão de 3 dos 22 activistas que foram impedidos de realizar a “Vigília” pois “o local está muito, muito cercado por homens fortemente armados, não só da polícia nacional, mas também das Forças Armadas e do serviço de inteligência militar”.

Este activista defende a reposição do feriado dia 4 de Janeiro alegando que “para nós é uma data muito histórica, que o regime não pode retirar, uma vez que foram massacrados muitos dos nossos antepassados”. (RFI)

por Isabel Pinto Machado

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